As mulheres e a pregação do evangelho

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No antigo manual Princípios do Evangelho há um tópico intitulado: “A Igreja do Senhor é uma Igreja Missionária”.1Princípios do Evangelho, “Trabalho Missionário” Sabemos que a Igreja não é apenas a instituição, mas, também, o conjunto de seus membros. A Igreja, como instituição, tem o dever de prover a estrutura doutrinária e operacional para que a pregação do evangelho seja levada a efeito, mas é dos seus membros o dever prático, de ir e fazer este trabalho. Esta não é uma obrigação de apenas parte dos membros da Igreja, mas de todos, pois, como ensinou o Presidente David O. McKay, “cada membro é um missionário”.2Presidente David O. McKay, “Talk by President David O. McKay Given to the North British Mission 1 March 1961”, Family and Church History Department Archives, A Igreja de Jesus Cristo dos … Continue reading

A base doutrinária dessa missão é encontrada nas palavras do Salvador Jesus Cristo, registradas por Marcos: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.”3Marcos 16:15

Há diversas formas de se cumprir o mandamento de pregar o evangelho. Uma criança pode ser bondosa com seu coleguinha na escola e ensinar, pelo exemplo, a respeito de Jesus Cristo. Um jovem pode levar os seus amigos a conhecerem o evangelho convidando-os para o Seminário. Um casal pode convidar outros casais a participarem de uma atividade da Igreja. Não somos uma organização fechada em si mesma, mas uma comunidade global, que busca interagir com o seu entorno, em favor da pregação do evangelho. Por isso, devemos nos certificar de que todos os programas, atividades e reuniões que promovamos sejam, direta ou indiretamente, excelentes oportunidades missionárias.

Evidentemente, a maneira mais conhecida entre os membros da Igreja, para a pregação do evangelho, é o serviço missionário de tempo integral, uma das características mais marcantes de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos. Tão forte é a ligação entre a pregação do evangelho e o serviço missionário de tempo integral, que alguns podem até mesmo confundir as duas coisas. A pregação do evangelho é fim. O serviço missionário de tempo integral é um dos meios para se chegar a este fim.

O serviço missionário de tempo integral é um dever dos portadores do sacerdócio,4Doutrina e Convênios 18:9–16 não das mulheres. Porém, pertence também às nossas estimadas irmãs a sagrada responsabilidade e oportunidade da pregação do evangelho e elas podem servir nesse glorioso trabalho também em uma missão de tempo integral, se assim desejarem.

Neste ponto, é importante deixarmos claro que não existe um mandamento dado às mulheres em substituição ao “não-mandamento” do serviço missionário de tempo integral. Por muitos anos tenho ouvido pessoas afirmarem que o serviço missionário de tempo integral não é um dever das mulheres porque o dever delas é o casamento. Ora, se o casamento fosse só para elas, talvez essa ideia fizesse algum sentido. Mas o casamento, como sabemos, é um mandamento e um dever sacerdotal para homens e mulheres! Afinal, não há casamentos somente com mulheres (nem somente com homens), no evangelho de Jesus Cristo!

Por muito tempo, a ideia incorreta de que apenas o casamento seria essencial para as mulheres e que o serviço missionário de tempo integral seria algo secundário, mesmo desnecessário, para elas, colocou sobre aquelas que se dispunham a servir como missionárias de tempo integral o rótulo de que só estavam ali, no campo missionário, porque não conseguiram casar-se antes. A missão era algo que só valeria a pena se não houvesse mesmo nada a ser feito quanto a um casamento para logo. Isto trouxe dor e tristeza para muitas valentes mulheres que dedicaram seu tempo, talentos e melhores esforços à pregação do evangelho em tempo integral, não porque não haviam conseguido casar-se, mas porque desejavam servir nesta obra, desta forma.

Um mandamento não é substituto para o outro. Esta ideia de que as mulheres teriam determinadas “compensações” por certas “restrições” que supostamente sofrem é um erro que alguns ainda insistem em difundir. Um exemplo disso é a afirmação de que a maternidade é a substituta para o sacerdócio. Não é! A maternidade é um privilégio concedido às mulheres, assim como a paternidade é um privilégio concedido aos homens. E, quanto ao sacerdócio, o Presidente Russell M. Nelson ensinou claramente que “toda mulher e todo homem que faz convênios com Deus, guarda esses convênios e participa dignamente das ordenanças do sacerdócio, tem acesso direto ao poder de Deus. Aqueles que são investidos na casa do Senhor recebem a dádiva do poder do sacerdócio de Deus, em virtude de seu convênio, assim como a dádiva do conhecimento de saber como fazer uso desse poder. Os céus estão abertos tanto para as mulheres que são investidas com o poder de Deus que emana de seus convênios do sacerdócio quanto para os homens que portam o sacerdócio”.5Presidente Russell M. Nelson, “Tesouros espirituais”, Conferência Geral, outubro de 2019 É hora de pararmos com estas comparações tolas sobre quem foi mais “abençoado” com o que recebeu do Senhor.

Com o advento da redução da idade mínima para o serviço missionário de tempo integral das mulheres em dois anos,6Presidente Thomas S. Monson, “Bem-Vindos à Conferência”, Conferência Geral, novembro de 2012 esta realidade começou a mudar. Finalmente, muitos percebem que o Senhor não apenas deseja ter mais mulheres no campo missionário, como Ele parece ter resolvido deixar isto bem claro a todos. A redução da idade mínima das mulheres ter sido estipulada em dois anos, enquanto a redução da idade mínima para os homens foi de apenas um ano, é bem significativo e merece reflexão. Tivesse o Senhor o mesmo pensamento daqueles que acreditam ser o serviço missionário coisa apenas para mulheres que não conseguirem um casamento, as coisas continuariam como estavam para elas, no que diz respeito à idade para servir. Mas Ele deixou evidente, por meio desta mudança, que as mulheres são bem-vindas ao campo missionário de tempo integral.

Desde abril de 1898, quando Inez Knight e Lucy Jane (Jennie) Brimhall tornaram-se as primeiras mulheres solteiras a servirem em uma missão de tempo integral para a Igreja,7Diane L. Mangum, “The First Sister Missionaries”, Ensign, Julho de 1980 uma questão central tem povoado a mente das jovens da Igreja: “Como posso saber se devo ou não tomar parte nesta obra?” Esta é uma pergunta muito importante, que pode ajudar muitas mulheres a tomarem decisões vitais, espiritualmente falando.

O Presidente Thomas S. Monson deu a resposta: “Afirmamos que o trabalho missionário é um dever do sacerdócio, e incentivamos todos os rapazes dignos, fisicamente aptos e mentalmente capazes a responder ao chamado para servir” e “Toda moça capaz e digna, que tenha o desejo de servir, pode ser recomendada para o serviço missionário (…) mas não estão sob a mesma obrigação de servir que os rapazes.”8Presidente Thomas S. Monson, “Bem-Vindos à Conferência”, Conferência Geral, novembro de 2012

Observe que, ao referir-se aos rapazes, ele deixou claro que o serviço missionário para eles é “um dever do sacerdócio”, ou seja, algo maior que o desejo pessoal, uma responsabilidade que está associada ao poder que receberam ao terem o sacerdócio conferido sobre suas cabeças. Não é uma opção, algo que um homem possa sentir-se no direito de não fazer. Não estou dizendo que o desejo não é importante para o rapaz que sai em missão, mas que, se ele não tiver este desejo, seu sentimento de cumprimento do dever deve ser colocado em prioridade. No caso dos rapazes, não é apenas o seu desejo que conta, mas, principalmente, o seu dever de cumprir a vontade do Senhor.

Quanto às moças, as palavras do Presidente Monson foram claras: Apenas a “que tenha o desejo de servir” deverá tomar parte nesta obra, pois nenhuma moça está “sob a mesma obrigação de servir que os rapazes”. Estas palavras trazem tanta clareza ao assunto! Primeiro, compreendemos que é o desejo que define o chamado missionário de uma moça. Nunca um versículo fez tanto sentido a respeito deste assunto: “Portanto, se tendes desejo de servir a Deus, sois chamados ao trabalho.”9D&C 4:3

Se, nesta obra, o que deve mover os homens é o senso de dever, o que deve mover as mulheres é o desejo! Não uma mera curiosidade ou uma vontade ocasional. Mas, sim, o desejo firme, seguro, que brota no coração, como ensinou Alma: “Oh! eu quisera ser um anjo e poder realizar o desejo de meu coração de ir e falar com a trombeta de Deus, com uma voz que estremecesse a terra, e proclamar arrependimento a todos os povos!”10Alma 29:1

Este tipo de sentimento, quando colocado em ação, modifica prioridades pessoais e dá um novo sentido à vida. O Presidente Dallin H. Oaks ensinou: “Os desejos determinam nossas prioridades, as prioridades moldam nossas decisões, e as decisões determinam nossas ações. Os desejos que são colocados em prática determinam como mudamos, o que realizamos e em que nos tornamos.”11Presidente Dallin H. Oaks, “Desejo”, Conferência Geral, abril de 2011

Nem sempre é fácil discernir nossos sentimentos. Felizmente, temos um meio para nos ajudar a tomarmos decisões importantes, de forma segura: O Espírito Santo. Morôni afirmou: “E pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas.”12Morôni 10:5 A moça deve aproximar-se do Espírito Santo, ceder aos seus influxos, deixá-lo guiá-la. E então, tomará sua decisão sabiamente.

Seja sua decisão guiada pelo Espírito Santo, de servir ou não servir em uma missão de tempo integral, as mulheres fiéis sempre receberão as bênçãos divinas prometidas. Testifico que o trabalho da pregação do evangelho é sagrado para homens e mulheres, em tempo integral, ou não, e que há muito a ser feito nesta obra, seja no campo missionário ou no lar.

Referências
Referências
1 Princípios do Evangelho, “Trabalho Missionário”
2 Presidente David O. McKay, “Talk by President David O. McKay Given to the North British Mission 1 March 1961”, Family and Church History Department Archives, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, pp. 2–3
3 Marcos 16:15
4 Doutrina e Convênios 18:9–16
5 Presidente Russell M. Nelson, “Tesouros espirituais”, Conferência Geral, outubro de 2019
6 Presidente Thomas S. Monson, “Bem-Vindos à Conferência”, Conferência Geral, novembro de 2012
7 Diane L. Mangum, “The First Sister Missionaries”, Ensign, Julho de 1980
8 Presidente Thomas S. Monson, “Bem-Vindos à Conferência”, Conferência Geral, novembro de 2012
9 D&C 4:3
10 Alma 29:1
11 Presidente Dallin H. Oaks, “Desejo”, Conferência Geral, abril de 2011
12 Morôni 10:5


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