Sic transit gloria mundi

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“Sic transit gloria mundi” é uma expressão do Latim que traduzida é “A glória do mundo é transitória”(1). Esta expressão nos lembra o quão efêmeros são os sentimentos de poder e satisfação produzidos pelas riquezas mundanas.

A glória do mundo é transitória

O lodaçal da busca desenfreada – e muitas vezes desonesta – das posses materiais deveria ser um cenário apenas observado, com desprezo e tristeza, pelos que professam seguir a Jesus Cristo. Infelizmente, a realidade é diferente. Não são poucos os cristãos que, em vez de manterem-se longe do materialismo e da ostentação, mergulham nesse mar de lama, envolvendo-se por completo no que talvez seja o maior símbolo de idolatria atual: o amor ao dinheiro.

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.”(2) Mamom é uma “palavra aramaica que significa ‘riquezas’”(3), Logo, ninguém pode servir a Deus e às riquezas. Porém, muitos há que, deixando de lado esta séria advertência do Salvador, esquecem o “Follow the prophet” (Siga o profeta) e adotam o “Follow the profit” (Siga o lucro).

Em seu livro “Pure in Heart”, o Presidente Dallin H. Oaks ensinou:

“No primeiro dos Dez Mandamentos, aceito como lei religiosa fundamental por cristãos e judeus, Deus ordena: ‘Não terás outros deuses diante de mim.’ (Êxodo 20:3). Isso é obviamente muito mais que uma proibição contra a adoração pública de imagens como o deus Baal. (A adoração de ídolos é o assunto do segundo mandamento: ‘Não farás para ti imagem de escultura’ [Êxodo 20:4].) O primeiro mandamento é uma proibição abrangente contra a busca de qualquer meta ou prioridade à frente de Deus. O primeiro mandamento proíbe o materialismo.”(4)

E mais:

“O Livro de Mórmon fala de uma época em que ‘o progresso da igreja começou a diminuir’ porque ‘o povo da igreja começava a (…) voltar o coração para as riquezas e para as coisas vãs do mundo’ (Alma 4:8,10). Aqueles que colocam seus corações nas coisas do mundo geralmente se concentram em uma combinação desse quarteto mundano de propriedade, orgulho, proeminência e poder. Quando as atitudes ou prioridades são fixadas na aquisição, uso ou posse de propriedade, chamamos essa condição de materialismo. Em ordem decrescente de intensidade, o materialismo pode ser uma obsessão, uma preocupação ou apenas um forte interesse. Seja qual for o seu grau, um interesse torna-se materialismo quando é intenso o suficiente para substituir as prioridades que devem ser primordiais.”(5)

Talvez já tenha chegado à sua mente a seguinte pergunta: “Mas é errado desejar riquezas?” A resposta, é: Depende! O que determina o limite entre o certo e o errado no desejo de obter riquezas é onde está o seu coração. O salmista ensinou: “Se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o coração.”(6) O Apóstolo Paulo advertiu que “(…) o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.”(7). Quando nos esquecemos de quem somos, de nossos compromissos e convênios com o Senhor, de nosso próximo e de nossos deveres cristãos, e colocamos nossa força na obtenção de riquezas materiais, então estamos permitindo que em nosso coração aflore o mundanismo, que é o conjunto de “desejos e esforços iníquos para obter riquezas e bens materiais, acompanhados do abandono das coisas espirituais.”(8).

Mas, como saber se meu coração está focado nas riquezas, mais que nas coisas da eternidade? É muito fácil enganar-se, dar desculpas para si mesmo e assim tolerar pequenos deslizes aqui e ali, que, pouco a pouco, se transformarão em erros graves, com sérias consequências para a espiritualidade. Quando se chega a este nível, geralmente a consciência já está a tal ponto anestesiada, que se torna difícil perceber e aceitar que o amor ao dinheiro tomou conta da sua mente e do seu coração.

Esse processo de insensibilidade espiritual pela obstinação financeira tem, paradoxalmente, origem no próprio meio cristão. E é por isso que é tão difícil perceber que se está neste estado espiritual decaído. Os incautos são cuidadosamente levados a crer que seu apego às posses materiais não é um problema, mas uma bênção! Este conceito é a base da “teologia da prosperidade”, uma falsa doutrina amplamente difundida entre os cristãos por lobos disfarçados de pastores de ovelhas. Segundo este conceito, o acúmulo de riquezas materiais é indicativo de fidelidade e aproximação com o Senhor, enquanto a ausência de posses materiais é sinal de evidente infidelidade ao Senhor.

O Presidente Oaks fez um alerta:

“Os que acreditam no que foi chamado de teologia da prosperidade sofrem devido aos “enganos das riquezas”. A posse de riquezas ou uma renda significativa não é um sinal de graça celeste, assim como sua ausência não é uma prova de desfavor celeste.”(9)

Infelizmente, mesmo entre os santos dos últimos dias, esta doutrina abjeta se apresenta, com roupagens e argumentos adaptados.

Historicamente, os membros da Igreja de Jesus Cristo foram incentivados a tornarem-se autossuficientes, vencendo a pobreza e sendo capazes de prover para si mesmos, para sua família e para ajudar ao próximo. Ironicamente, o princípio divino da autossuficiência tem sido utilizado como justificativa de muitos para centrarem seus esforços na busca por cada vez mais dinheiro.

O Presidente Oaks disse:

“Alguns dizem que os santos dos últimos dias modernos são peculiarmente suscetíveis ao evangelho do sucesso e à teologia da prosperidade. (…) Se os santos dos últimos dias são especialmente suscetíveis ao materialismo, isso pode ser porque o materialismo é uma corrupção de uma virtude na qual os santos dos últimos dias têm orgulho especial. O materialismo é uma distorção sedutora da autossuficiência. A corrupção ocorre através da realização da virtude de “prover para nós próprios” ao ponto de haver uma preocupação excessiva com o acúmulo de tesouros da terra.”(10)

Esta vulnerabilidade dos santos dos últimos dias a este mal pode ser explicado pela sua própria história e formação como povo. Os símbolos do Estado de Utah (11), sede e maior centro de força da Igreja, valorizam o trabalho e autossuficiência. O lema estadual oficial “Industry” e o emblema oficial, a colmeia, representando o trabalho duro e a diligência, aparecem no brasão, no selo, na bandeira e no Capitólio de Utah. Esta cultura de esforço e progresso pessoal, cultivada há quase dois séculos com o objetivo de criar um povo livre e independente, tem sido distorcida por muitos que desejam justificar sua ganância por riquezas a qualquer custo.

Bandeira de Utah

Tal conduta tem gerado efeitos perniciosos e duradouros sobre o povo do Senhor, que vão desde falsos conceitos espalhados como verdades, até velados e sutis abusos e subjugação do outro.

Não é difícil ouvir de alguém que a aquisição de um carro novo mais potente – e mais caro – , é uma evidência de que fulano tem sido muito abençoado. No lugar do carro, pode se colocar imóveis, viagens, roupas e uma quase infinidade de itens. Infelizmente, alguns, com o desejo deste “reconhecimento” narcisista, endividam-se, adquirindo bens em prestações com valores e prazos fora do aconselhável para se manter longe de dificuldades. Infelizmente, não são poucos os que vivem essa espécie de “evangelho ostentação” e deixam de pagar o dízimo ou de ofertar para a causa do Senhor, porque julgam mais importante pagar as prestações do carro bonito ou qualquer novo luxo ou prazer.

O Presidente Spencer W. Kimball falou seriamente sobre isto:

“O Senhor abençoou o nosso povo com uma prosperidade sem precedentes. Os recursos que foram colocados em nossas mãos são bons e necessários ao trabalho que temos a realizar na Terra, mas temo que muitos de nós tenham adquirido muitos rebanhos, manadas, acres de terra, celeiros e riquezas e começado a adorá-los como a falsos deuses, e esses deuses têm poder sobre nós. Será que a quantidade de coisas boas que temos é maior do que nossa fé é capaz de suportar? Muitas pessoas passam a maior parte do tempo a serviço de uma autoimagem que inclui bastante dinheiro, ações, títulos, fundos de investimentos, propriedades, cartões de crédito, equipamentos, carros e coisas semelhantes para garantir a segurança material durante toda a vida que, espera-se, seja longa e feliz. O que acabou sendo esquecido é que nosso dever é utilizar esses numerosos recursos em nossa família e quórum para a edificação do reino de Deus.”(12)

Jesus Cristo e o jovem rico

Outro problema decorrente deste modo de vida é o abuso do próximo menos afortunado. Isto se dá de dois modos: quando é criada uma relação de subjugação e quando há a exploração do outro.

A subjugação – nem sempre intencional – é uma das piores faces do acúmulo de riquezas. Nem sempre clara ou visível, nem sempre direta ou evidente, esta opressão se dá normalmente de modo sutil, com a ostentação desnecessária de posses com o fito de desvalorização do outro, deixando claro que manda quem tem, obedece quem não tem. O materialista quase sempre acredita que o seu ouro e a sua prata fazem de si alguém, senão melhor, pelo menos com mais poder e capacidade. Há quem chegue mesmo a pensar que, uma vez que sua riqueza é sinal de fidelidade, então somente ele está qualificado para liderar os pobres “infiéis”, como se condição financeira ou posses materiais fossem critérios ou indicativos para o serviço no reino de Deus.

Que ninguém jamais se sinta inferior, em nenhum aspecto, por estar ao nosso lado. Nosso dever é o de elevar as pessoas, não diminuí-las. Se há alguém que se considere superior a outra pessoa devido à sua condição financeira, e que use isto contra esta pessoa, ainda que de forma velada e sutil, deve saber que o Senhor certamente não terá por inocente quem agir assim com seus irmãos.

A exploração do outro é uma das consequências mais atuais e mais nefastas de nossos dias, quando se coloca o coração nas riquezas materiais. Na ânsia por adquirir cada vez mais riquezas, homens e mulheres têm enganado seus semelhantes. Isto não é feito de modo aleatório. Primeiro, alimentam um sentimento de inferioridade no outro e colocam-se como modelos a serem seguidos por sua posição financeira. Depois, aproveitando-se disso, oferecem-lhes soluções rápidas e fáceis de ganhar dinheiro, que infelizmente terminam, em muitos casos, tirando-lhes o que já quase não têm e engordando as contas bancárias e o ego de quem já tem o suficiente.

Uma das formas de execução dessa perversidade é a distorção de algo bom: o empreendedorismo.

O Presidente Oaks alertou sobre o que tem ocorrido com muitos membros da Igreja:

“De acordo com esse evangelho [da teologia da prosperidade], o sucesso no mundo – particularmente o empreendedorismo – é um ingrediente essencial do progresso em direção ao reino celestial. (…) Certamente, Utah teve muitas vítimas de empreendimentos especulativos. Por pelo menos uma década tem havido uma sucessão de fraudes trabalhadas por empresários predominantemente santos dos últimos dias sobre as vítimas predominantemente santos dos últimos dias. Manipulações de estoque; Financiamentos de hipotecas residenciais; ouro, prata, diamantes, urânio e investimentos em documentos; esquemas de pirâmide – todos cobraram seu preço aos fiéis e crédulos.”(13)

Muitos têm perdido suas economias em ilusões vendidas por quem deveria, por convênio, proteger-lhes de todo mal. Esquemas de pirâmides geralmente se disfarçam de negócios altamente vantajosos, mas previsivelmente não sustentáveis aos olhos atentos, pois colocam o ganho principal não na comercialização de produtos ou serviços, mas na aquisição de pessoas para o grupo. Esta modalidade moderna de tráfico humano geralmente promete lucro fácil e rápido com pouco esforço e, é claro, um “pequeno investimento inicial”. Nos Estados Unidos, uma forma de identificar se um negócio é ou não uma pirâmide, é a chamada regra dos 70%: se a empresa tem menos de 70% de seu rendimento advindo de produtos/serviços, é pirâmide.

Utah se tornou um epicentro para esquemas de enriquecimento rápido. Em 2010, o FBI classificou Salt Lake City em quarto lugar em esquemas de pirâmide, com fraudes que já excedem 2 bilhões de dólares.(14) Há pelo menos 15 grandes empresas de Marketing Multi Nível sediadas em Utah, sendo este o estado que tem mais empresas deste tipo per capita do que qualquer outro nos Estados Unidos.(15) Não, uma empresa de Marketing Multi Nível não é um esquema de pirâmide. Mas é como normalmente estes esquemas se disfarçam. Daí a relação entre as duas estatísticas.

Quase sempre é o pobre que sofre as consequências mais nefastas destas ações exploratórias. Ansiando por melhorar sua condição financeira, almejando ser tão prósperos quanto seus opressores, e desejando ser considerados também fiéis, fecham seus olhos para o óbvio e comprometem seus recursos e sua integridade.

Como disse o Presidente Oaks:

“Seja inerentemente confiante demais ou apenas ingenuamente ansioso por um atalho para a prosperidade material que alguns veem como o emblema da justiça, alguns santos dos últimos dias são aparentemente muito vulneráveis à atração da riqueza repentina.”(16)

O Élder Jeffrey R. Holland alertou os que se aproveitam dessa vulnerabilidade dos seus irmãos:

“O autor de Provérbios tratou o assunto com extrema clareza: ‘O que oprime o pobre insulta àquele que o criou’ e ‘o que tapa o seu ouvido ao clamor do pobre, ele mesmo também clamará e não será ouvido’ (Provérbios 14:31; 21:13). Nos dias atuais, a Igreja restaurada de Jesus Cristo ainda não tinha completado um ano quando o Senhor ordenou aos membros: ‘Eles cuidarão dos pobres e necessitados e ministrar-lhes-ão auxílio para que não sofram’. Notem que o sentido é imperativo — ‘para que não sofram’. Essa é a linguagem que Deus usa quando está falando sério.”(17)

Quantos sofrerão um dia por, em vez de cuidar dos pobres, aproveitarem-se de sua condição inferior para oprimi-los!

O orgulho é o princípio de todo este mal. Ele se alimenta do desejo de ser e ter mais que o outro.

O escritor C. S. Lewis ponderou:

“O orgulho não se compraz em ter alguma coisa, somente em ter mais do que o próximo. (…) É a comparação que os torna orgulhosos: o prazer de sentir-se acima dos demais. Tirando-lhe o elemento competitivo, o orgulho desaparece.”(18)

O autor de Provérbios ensinou: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.”(19)

E Alma questionou: “Eis que estais despidos de orgulho? Digo-vos que, se não o estais, não estais preparados para comparecer perante Deus. (…) E novamente vos pergunto: Há alguém entre vós que zombe de seu irmão ou que acumule perseguições contra ele?”(20)

E foi o Presidente Ezra Taft Benson quem fez a melhor leitura do coração e da mente dos orgulhosos em relação ao seu sucesso e prosperidade financeira, o que eu defino como a “síndrome do espelho, espelho meu”:

“Os orgulhosos dependem do mundo para lhes dizer se têm valor ou não. Sua autoestima depende da posição que ocupam pretensamente na escala do sucesso mundano. Sentem-se dignos de mérito como pessoa se houver um número suficiente de indivíduos abaixo deles em termos de realizações, talento, beleza ou inteligência. O orgulho é feio. Ele diz: ‘Se outro tem sucesso, sou um fracasso.’”(21)

Não há nada de errado nas riquezas, ou mesmo em ter muitas riquezas. O próprio Senhor disse: “E é meu propósito suprir a meus santos, pois todas as coisas são minhas.”(22)

Como disse o Presidente N. Eldon Tanner:

“As bênçãos materiais fazem parte do evangelho, caso as consigamos da maneira certa e com o objetivo certo.”(23)

O mal está, como já vimos, no orgulho que toma de assalto o coração dos homens e o desvia de seu real foco, o reino dos céus. Felizmente, temos muitos alertas no caminho e, se cairmos na armadilha do amor pelas riquezas – mal que pode acometer mesmo aqueles que não as possuem! – podemos voltar e nos colocarmos no caminho correto. Neste processo da limpeza do nosso coração do orgulho, há certas coisas que devemos fazer.

Um dos primeiros passos para vencer a luta contra a soberba e o materialismo é compreender e aceitar quando o que temos nos basta, compreendendo que a felicidade está no ser e não no ter.

Foi o Presidente Tanner quem ensinou:

“Não sei de nenhum caso em que a felicidade e a paz de espírito aumentem com o acúmulo de bens acima dos limites do razoável para suprir as necessidades da família.”(24)

O Élder James E. Faust ensinou:

“A relação do dinheiro com a felicidade é, na melhor das hipóteses, questionável. Até mesmo o Wall Street Journal reconheceu: ‘O dinheiro é um artigo que pode ser usado como um passaporte universal para todos os lugares, exceto para o céu, e como provedor universal de tudo, exceto felicidade’. Henrik Ibsen escreveu: ‘O dinheiro pode comprar a casca de muitas coisas, mas não o núcleo. Ela traz alimento, mas não apetite; remédio, mas não saúde; conhecidos, mas não amigos; servos, mas não fidelidade; dias de alegria , mas não paz ou felicidade’”.(25)

O Rei Davi

Além desse, há outros pontos que devem ser levados em séria consideração.

O fator inverso desta falsa doutrina da teologia da prosperidade é que quem acredita nela, coloca o Senhor como devedor de sua fidelidade pessoal. Embora o próprio Senhor tenha dito que está “obrigado quando [fazemos] o que [Ele diz]”(26), não devemos esquecer que qualquer bênção que recebemos Dele é fruto de Sua graça, benevolência e misericórdia. Nossos esforços, por maiores, melhores, mais retos e mais santos que sejam, servem tão somente para que demonstremos nossa obediência e humildade, não como moeda de troca para os favores divinos. Condicionar nossa fidelidade ao recebimento de bênçãos não revela submissão absoluta à vontade divina, que deve ser nosso real intento e motivação. Jó ensinou esta verdade ao declarar: “Ainda que ele me matasse, nele esperarei.”(27)

Os que não se consideram – ou não sejam mesmo – materialmente afortunados, devem lembrar que se o Senhor negar a alguém a prosperidade material, isto não é necessariamente por falta de fé ou por infidelidade. Ele é o Senhor e sabe o que, como e quando nos conceder o que precisamos. Pagar o dízimo honesto e fazer ofertas generosas são sinais de sua fidelidade, mas não obrigam o Senhor a lhe devolver coisa alguma. Quem devolve é você, porque os recursos são Dele. Ele lhe concede generosamente uma parte desses recursos, se e quando isto for o melhor para você. O critério definitivo para as respostas às orações não é a fé do homem, mas a vontade soberana do Senhor.

O Senhor prometeu que não faltará o azeite à viúva, não que esse azeite transbordará do pote. Ao prometer que o Senhor iria “abrir as janelas do céu, e (…) derramar sobre [nós] uma bênção tal, até que não haja mais lugar para a [recolhermos]”(28), não era apenas e necessariamente de dinheiro e conforto material que o profeta falava. As bênçãos espirituais advindas da fidelidade financeira ao Senhor são imensamente maiores e mais urgentes para nós que todo o ouro que se possa acumular. Ele sabe disso, mas nós nem sempre colocamos as coisas nessa ordem de prioridade. Ao vermos “outro com seu ouro e bens”(29) podemos questionar sobre nossa parte nessas bênçãos, e esquecermos que os “tesouros prometidos” para os fiéis são de outra natureza, e que “nunca os bens da terra poderão comprar a mansão celeste que [vamos] habitar”.

Comparar nossa situação financeira com outros que pareçam muito mais prósperos que nós, pode nos causar tristeza e nos embaçar a visão, fazendo-nos acreditar que somos os únicos não recebedores destas bênçãos. Frustação, sentimentos de inferioridade e desânimo em continuar a ser fiel podem ser consequências desastrosas desse comportamento. É fácil se impressionar com os que, sendo realmente fiéis, sorriem alegremente em suas casas confortáveis, com mesas sempre fartas e que dirigem automóveis caros e potentes. Quando nos concentramos nisso, esquecemos que muitas são as escrituras que registram tempos e mesmo vidas inteiras de sofrimento, pobreza, dor e angústia de servos igualmente fiéis ao Senhor.

A proteção que precisamos contra estes enganos vem do Senhor. O irmão Kim B. Clark, ex-Presidente da Universidade Brigham Young – Idaho, listou quatro padrões para vencer o orgulho e alcançarmos esta proteção:

“Padrão número 1 –  Nunca faça nada para afastar o Espirito Santo: O Espírito Santo é essencial no processo de acabamento do Senhor. Mas o Espírito é muito sensível a qualquer grau de injustiça. Não faça nada, não use nada nem fale nada ou leia nada ou ouça qualquer coisa, assista a nada ou vá a qualquer lugar que afaste o Espírito.

Padrão número 2 – Não deixe o mundo entrar em seu coração: Nunca coloque seu coração nas coisas – em dinheiro, casas, carros, roupas ou qualquer outra coisa. Não deixe uma carreira, poder ou as honras dos homens entrarem em seu coração. Eles podem chegar lá com muita facilidade se você não for cuidadoso. Coloque seu coração no Senhor e em Seu reino, em sua família, no templo e nas coisas da eternidade. Sempre viva modestamente dentro de seus recursos e sempre pague seu dízimo e dê uma oferta generosa de jejum.

Padrão número 3 – Sirva ao Senhor: Aceite e sempre magnifique os chamados na Igreja e ofereça-se como voluntário no reino. Quando os sussurros do Espírito vierem lhe enviando a missão do Senhor de resgatar uma alma perdida ou consolar alguém em necessidade, aja de acordo com esses sussurros tão rapidamente quanto puder.

Padrão número 4 – Permaneça em lugares santos: Torne a sua casa um lugar sagrado, santo, onde o Espírito possa habitar. Esteja na capela para participar do sacramento todos os domingos e, em espírito de oração, renove seu convênio de “recordá-lo sempre e guardar os mandamentos” (D&C 20:77). Se você mora perto de um templo, vá com frequência à casa do Senhor. Reviva as sagradas ordenanças e convênios. Reflita sobre sua gratidão pelo plano de salvação e pela grande verdade da Expiação, por seu poder em sua vida e por sua necessidade das bênçãos e forças que estão no Senhor Jesus Cristo.”(30).

Fuja do materialismo, um dos braços do mundanismo. Ao compreender que toda glória deste mundo é passageira, e que toda glória divina é eterna, você saberá onde concentrar seus esforços. Busque a autossuficiência e, se a riqueza vier a você, trate-a como deve ser tratada: como sua serva para a bênção de sua família, de seu próximo e do reino do Senhor!

Monumento na entrada do Capitólio de Utah

Referências:

(1) Dicionário de Latim Online: significados de palavras e expressões em latim, 7graus.com.
(2) Mateus 6:24.
(3) GEE, Mamom.
(4) Pure in Heart, Deseret Book.
(5) Pure in Heart, Deseret Book.
(6) Salmos 62:10.
(7) 1 Timóteo 6:10.
(8) GEE, Mundanismo.
(9) “A Parábola do Semeador”, Conferência Geral, abril de 2015.
(10) Pure in Heart, Deseret Book.
(11) Utah State Symbols & Facts, Utah.com.
(12) “The False Gods We Worship”, Ensign, junho de 1976, p. 4.
(13) Pure in Heart, Deseret Book.
(14) “Utah’s fraud ‘epidemic’: Victims share anger, embarrassment, hurt”, Deseret News, 27 de outubro de 2016.
(15) “Utah MLM explosion”, The Daily Universe (empresa de mídia produzida por estudantes da Escola de Comunicações da BYU), 15 de maio de 2018.
(16) Pure in Heart, Deseret Book.
(17) “Não Somos Todos Mendigos?”, Conferência Geral, outubro de 2014.
(18) “Mere Christianity”, New York: Macmillan, 1952, pp. 109–110, tradução livre.
(19) Provérbios 16:18.
(20) Alma 5:28-30.
(21) “Acautelai-vos do Orgulho”, Conferência Geral, abril de 1989.
(22) D&C 104:15.
(23) “Constancy Amid Change”, Ensign, novembro de 1979, pp. 80–82.
(24) “Constancy Amid Change”, Ensign, novembro de 1979, pp. 80–82.
(25) “Chegar Até Você”, Deseret Book, p. 8.
(26) D&C 82:10.
(27) Jó 13:15.
(28) Malaquias 3:10.
(29) “Conta as Bênçãos”, Hinos: 57.
(30) “Você está despojado do orgulho?”, proferido em um devocional na Universidade Brigham Young – Idaho em 29 de setembro de 2009


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