Porque apostar é errado?

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“A Igreja se opõe a qualquer tipo de jogo de azar, inclusive as loterias promovidas pelo governo.”(1) É com esta declaração simples e direta que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias define sua posição sobre jogos de azar, inclusive loterias oficiais dos governos. A afirmação é clara e inequívoca no que diz: a oposição não é apenas à prática de jogar, mas aos jogos em si.

A palavra “qualquer”, presente na declaração, elimina todas as possibilidades de exceções. Ainda assim, infelizmente, há pessoas que parecem sempre buscar uma brecha ou margem para manobra a respeito deste ou daquele jogo. Costumam dizer que apostar em resultados de jogos de futebol é algo inocente, ou que apostar em jogos de cartas entre amigos não faz mal, ou que jogar em um bingo ou rifa com objetivo beneficente é louvável, ou mesmo que, se o governo oficializa um jogo, jogá-lo não pode ser classificado como algo ilegal. Esquecem-se que nem sempre o que é legalmente ou socialmente aceitável, é moralmente aceitável.

O Presidente Brigham Young, ao tomar conhecimento de que irmãs da Sociedade de Socorro estavam rifando colchas feitas em casa para doar os lucros aos necessitados, afirmou que não podemos acreditar que “o fim santificará os meios” e que “como santos dos últimos dias, não podemos sacrificar princípios morais em prol do ganho financeiro”.(2)

As pessoas que buscam o jogo como alternativa para o enriquecimento pessoal geralmente usam argumentos ardilosamente desenvolvidos para enganar os imprudentes. Esquecem que qualquer argumento, por mais bem construído e convincente que possa parecer, não pode prevalecer sobre a posição clara do Senhor e de Sua Igreja.

Quem joga, busca ganhar muito oferecendo pouco. Ou nada. Não é uma troca justa, como é a do ganho por algum esforço, seja físico ou intelectual. Além disso, o jogo promete dar, de uma vez, muito além do que qualquer trabalho poderia oferecer, estimulando a ganância. O desejo de obter algo sem oferecer uma contrapartida “é espiritualmente destrutivo”.(3)

O Presidente Spencer W. Kimball ensinou: “Desde o princípio fomos advertidos contra toda espécie de jogo de azar. Toda pessoa se degrada e fica prejudicada, quer ela vença ou perca, se receber algo por nada, se receber algo sem esforço, se receber algo sem pagar o preço completo” (4) Os jogos de azar passam a mensagem de que a pessoa não precisa trabalhar realmente, nem buscar o aperfeiçoamento pessoal. Para os jogos de azar, é suficiente que a pessoa tenha “sorte” ao “lançar os dados”. A mensagem do evangelho de Jesus Cristo, porém, é o oposto disso, é a mensagem do trabalho, do estudo, do progresso honesto. Néfi resumiu claramente esta mensagem: “E aconteceu que eu, Néfi, fiz com que meu povo fosse industrioso”.(5)

Muitos tornam-se viciados nestes jogos. Perdem o respeito próprio, de sua família, amigos e colegas. Perdem quantias volumosas de dinheiro, em uma só aposta ou ao longo da vida, e recebem em troca apenas uma satisfação efêmera, quando conseguem ganhar. Esta euforia só convence a pessoa de que ela deve continuar, buscando cada vez mais. Sentindo-se vencedora, a pessoa esquece que, para que ela ganhasse, outros tiveram que perder tudo o que apostaram. Essa é mais uma trágica face dos jogos de azar: a face do egoísmo. O jogador não se contenta em ganhar. Ele deseja – e precisa – que os demais concorrentes percam, para que ele receba o que antes era de outros. Porém, “tudo o que encoraja os homens a tirar uns dos outros sem dar nada de valor em troca, serve à causa de Satanás”.(6)

O Presidente Gordon B. Hinckley afirmou que “o jogo é simplesmente um processo que coleta dinheiro e não oferece um retorno justo em bens ou serviços”.(7) Mesmo nas loterias do governo, que funcionam como arrecadação de recursos para os cofres públicos, a suposta compensação com a reversão da maior parte do valor em serviços públicos não é real, porque os cidadãos tiveram que dispor de seus recursos para o governo, em forma de dinheiro apostado, além dos impostos que já pagam para custear os serviços públicos. No Brasil, o prêmio anunciado corresponde na realidade a apenas cerca de 30% do valor arrecadado com as loterias federais. O restante é destinado aos cofres públicos, sob a forma de contribuições e impostos.

Há muito apelo midiático sobre os jogos de azar oficializados. Os programas de variedades e os telejornais gastam horas falando sobre o que se pode comprar com o montante a ser distribuído e, após o resultado, passam a enaltecer a “boa sorte” do ganhador. Nenhuma palavra sobre os milhares ou mesmo milhões de outros jogadores que pagaram e não ganharam nada. Nenhuma linha é escrita sobre os que perdem, os que são iludidos pela promessa de riqueza instantânea, apenas para enriquecer instantaneamente a outro. Os que perdem tendem a voltar a jogar, movidos pelo desejo de vingança contra a “má sorte”, tentando a todo custo serem também ganhadores. E assim vão se perdendo em sua obsessão degradante.

O Presidente George Q. Cannon, disse: “Há muitos males no mundo contra os quais os jovens devem se precaver. Um deles são os jogos de azar. Existem várias modalidades desse mal, mas todas são ruins e não devem ser toleradas”.(8) Infelizmente, não são apenas os inexperientes jovens que caem na armadilha dos jogos de azar. Há mulheres e homens bem mais maduros, alguns até já idosos, que se envolvem nesta prática terrível.

Os Santos dos Últimos Dias devem não apenas manter distância desta prática, mas, também, adotar posição pessoal clara contra os jogos de azar. Os membros fiéis da Igreja acreditam no que a Igreja acredita e defendem o que a Igreja defende.

Referências

(1) Manual Geral: Servir em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 38.8.22
(2) Presidente Brigham Young, Juvenile Instructor, 1 de outubro de 1902, p. 593
(3) Sempre Fiéis, “Jogos de Azar”
(4) Presidente Spencer W. Kimball, “Por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?”, Conferência Geral, abril de 1975
(5) 2 Néfi 5:17
(6) Presidente Dallin H. Oaks, “Jogos de Azar: Moralmente Errado e Politicamente Imprudente”, Ensign, junho de 1987
(7) Gordon B. Hinckley, “Jogos de Azar”, Conferência Geral, abril de 2005
(8) Presidente George Q. Cannon, Gospel Truth: Discourses of President George Q. Cannon, sel. Jerreld L. Newquist, 2 vols. [1974], vol. 2, p. 223


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