Perfeito amor

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O apóstolo João registrou alguns dos maiores ensinamentos sobre o amor. Por exemplo, foi ele quem apresentou, em seu evangelho, a declaração do Senhor Jesus Cristo a Nicodemos, que se tornou uma das passagens mais conhecidas e citadas das escrituras: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”1João 3:16. Assim, aprendemos, pela boca do próprio Salvador, que Deus nos ama!

Como Ele é perfeito, podemos ter a certeza que somos amados com perfeição! “Deus é amor, e (…) nisto é perfeito o amor para conosco”21 João 4:16-17, ensinou João. Ao contrário do Senhor, somos imperfeitos e, por isso, embora o nosso sentimento de amor por Ele possa ser perfeito, a expressão desse amor é cheia de imperfeição. Isso fica claro quando aprendemos como o Senhor mede a perfeição do nosso amor por Ele: “Se me amais, guardai os meus mandamentos”3João 14:15.

A cada vez que falhamos em obedecer ao Senhor, falhamos em demonstrar nosso amor por Ele. Ao persistirmos em nos arrepender e tentar novamente, continuamos nos esforçando por obedecer e demonstrar mais perfeitamente o nosso amor a Deus. Felizmente “o Senhor ama o esforço”4Russel M. Nelson, citado por Joy D. Jones, “Um chamado particularmente nobre”, Conferência Geral de Abril de 2020 e sabe que, apesar das nossas fraquezas e limitações, nós O amamos. Em Seu perfeito amor por nós, o Senhor nos ajuda a aperfeiçoar o nosso amor por Ele!

Em nosso esforço para amar a Deus com mais perfeição, devemos amar o que Ele ama, como Ele ama. Nesse quesito, há algo que deve ser nossa prioridade (porque é Sua prioridade): amar os Seus filhos! Néfi afirmou: “Sei que ele ama seus filhos”51 Néfi 11:17.

Na última ceia, pouco antes de realizar Seu sacrifício expiatório, Jesus Cristo declarou aos seus apóstolos: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei a vós, que também vós uns a outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”6João 13:34-35.

Logo, vemos que o amor ao próximo não é uma mera liberalidade nossa, mas um mandamento divino! O amor ao próximo é uma expressão do amor a Deus. O desamor ao próximo é uma expressão do desamor a Deus. João ensinou: “Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus ame também seu irmão”7João 4:20-21.

É claro que é mais fácil amar a Deus, afinal, “nós o amamos porque ele nos amou primeiro”8João 4:19. Já daqueles que nos cercam, na família, na Igreja, no trabalho, na escola ou em qualquer outro lugar, nem sempre receberemos o amor primeiro. Na verdade, às vezes receberemos indiferença, intolerância, preconceito, impaciência, ou outros sentimentos indesejáveis, expressados por palavras ou gestos rudes. Como amar pessoas imperfeitas?

Gostaria de sugerir duas decisões que podemos tomar, que poderão nos ajudar a desenvolver maior amor pelas pessoas e, assim, aperfeiçoar o nosso amor a Deus.

Decida não ofender

O Salvador declarou, aos que se preparavam para apedrejar a mulher adúltera: “Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra”9João 8:7. Bem, se Ele repreendeu assim um ataque a alguém que foi apanhada em flagrante adultério (o maior pecado depois dos pecados imperdoáveis), quanto mais devemos nós refrear nosso impulso de atacar quem comete erros tão menores conosco!

A Expiação de Cristo alcança todas as experiências dolorosas, de todo tipo, de todas as pessoas. Permita que o poder da Expiação limpe de seu coração qualquer sentimento negativo contra quem quer que seja. Deixe que o Senhor alivie o fardo10Mosias 24:14 da sua raiva, tristeza e angústia. Quando você decide resolver alguma situação por meio da ofensa a alguém, é como se estivesse dizendo ao Cristo: “Bem, nesse assunto, prefiro ficar só e fazer as coisas ao meu modo”. Que cristão, em sã consciência espiritual, diria isso ao Seu Salvador?

Infelizmente, há uma guerra de “pedras” sendo arremessadas em nossa sociedade, algumas delas virtuais, contra tudo e contra todos. Que da nossa mão do convênio11Antonio Carlos Lima, “A mão do convênio”, Blog Estandarte da Liberdade, 9 de abril de 2020 não saia nenhuma “pedra” de violência contra ninguém, seja no mundo real ou virtual. “Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam”12Lucas 6:28, ensinou Jesus Cristo.

Decida não se sentir ofendido

Compreenda que as pessoas não falam e não agem de maneira rude por maldade, mas por desconhecimento ou inabilidade no falar e no agir puros. E, nos casos em que houver realmente maldade de algum tipo, compreenda que as pessoas não sabem o que você sabe sobre amar ao próximo. Agindo assim, você verá seus ofensores como pessoas que só agem assim porque não sabem agir de outra forma. O Salvador foi o maior exemplo desse tipo de abordagem. Ele disse, referindo-se aos soldados que o crucificaram: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”13TJS, Lucas 23:35. O Presidente Spencer W. Kimball ensinou: “Jesus via o erro do pecado, mas também conseguia ver o pecado como algo decorrente de profundas necessidades insatisfeitas do pecador. Isto lhe permitia condenar o pecado sem condenar a pessoa”14Spencer W. Kimball, “Jesus: o Líder Perfeito”, Ensign de Agosto de 1979.

Sentir-se ofendido ou não é uma escolha espiritual. O Elder David A. Bednar ensinou: “No fundo é impossível para uma pessoa ofender outra. Na verdade, achar que alguém nos ofendeu é fundamentalmente falso. Ofender-nos é uma escolha que fazemos; não é uma condição infligida ou imposta a nós por alguém ou algo. (…) Investidos do arbítrio, todos somos agentes e portanto devemos primeiramente agir e não só nos submeter à ação. Achar que alguém ou algo pode fazer com que nos sintamos ofendidos, zangados ou magoados é um insulto ao nosso arbítrio moral e reduz-nos a meros objetos sujeitos à ação. (…) Em muitas ocasiões, optar por ofender-se é sintoma de um problema espiritual bem mais amplo e sério”15David A. Bednar, “E para Eles Não Há Tropeço”, Conferência Geral de Outubro de 2006.

Antes de escolher se sentir ofendido, escolha perdoar. O Elder Dieter F. Uchtdorf ensinou: “Cada um de nós tem a obrigação, segundo a palavra de Deus, de exercer perdão e misericórdia e perdoar uns aos outros. Há uma grande necessidade desses atributos em nossa família, em nosso casamento, nas alas, nas estacas, na comunidade e em nosso país. Receberemos a alegria do perdão em nossa vida quando estivermos dispostos a perdoar os outros espontaneamente. Perdoar da boca para fora não basta. Precisamos expurgar o coração e a mente de sentimentos e pensamentos amargos, e deixar que entrem a luz e o amor de Cristo. Como resultado, o Espírito do Senhor encherá nossa alma da alegria que acompanha a divina paz de consciência”16Dieter F. Uchtdorf, “O Ponto de Retorno Seguro”, Conferência Geral de Abril de 2007.

Ao decidir não ofender e não se sentir ofendido, seu amor próprio aumentará, seu amor pelos filhos do Pai Celestial aumentará, e seu amor pelo Senhor aumentará, até o perfeito amor17Morôni 8:17.

Referências
Referências
1 João 3:16
2 1 João 4:16-17
3 João 14:15
4 Russel M. Nelson, citado por Joy D. Jones, “Um chamado particularmente nobre”, Conferência Geral de Abril de 2020
5 1 Néfi 11:17
6 João 13:34-35
7 João 4:20-21
8 João 4:19
9 João 8:7
10 Mosias 24:14
11 Antonio Carlos Lima, “A mão do convênio”, Blog Estandarte da Liberdade, 9 de abril de 2020
12 Lucas 6:28
13 TJS, Lucas 23:35
14 Spencer W. Kimball, “Jesus: o Líder Perfeito”, Ensign de Agosto de 1979
15 David A. Bednar, “E para Eles Não Há Tropeço”, Conferência Geral de Outubro de 2006
16 Dieter F. Uchtdorf, “O Ponto de Retorno Seguro”, Conferência Geral de Abril de 2007
17 Morôni 8:17

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