O trabalho de salvação da sua alma

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Quero falar sobre o trabalho de salvação. De sua salvação. Ninguém que não esteja seguro, firme, poderá ajudar a levantar o outro, pois os dois poderão cair. Assim, se é seu desejo trabalhar pela salvação de almas – e eu acredito que seja -, comece pela sua. Firme-se. Segure-se. Esteja pronto a demonstrar, pelo seu exemplo, como o próximo poderá trabalhar para a salvação de sua própria alma.

Apresento cinco conselhos que, se seguidos, poderão ajudá-lo no processo de salvar a sua alma e de contribuir para a salvação das almas dos filhos do Pai Celestial. Estes não são os únicos fatores – e talvez nem sejam os principais – do trabalho de salvação de uma alma, mas certamente são muito importantes.

1 – Seja Autossuficiente

Temos a tendência de associar a autossuficiência a assuntos financeiros. A autossuficiência vai muito além do dinheiro, embora este seja um ponto importante de autossuficiência.

Há um aspecto da autossuficiência que muitos esquecem: a autossuficiência espiritual. Aquele que é espiritualmente autossuficiente consegue trilhar o caminho deixado pelo Salvador. Ele tem a plena condição de agir, e não apenas receber ação. Ele consegue servir, ajudar, ensinar, fortalecer, erguer o seu próximo.

“Será que percebemos a importância crítica da autossuficiência quando vista como requisito para o serviço ao próximo, sabendo ainda que servir é a essência da divindade? (…) O espiritualmente fraco não pode ensinar.”(1)

A autossuficiência espiritual é um fator essencial no trabalho de salvação de nossa alma. Porém, como em tudo, o inimigo preparou uma armadilha utilizando esta questão tão importante. O mundo tenta nos ensinar de que nosso intelecto e nossa força bastam, e até de que somos mais capazes e mais livres sem Deus. O mundo tenta nos convencer de que seguir os ditames de Deus não importam, pois o que importa é ser feliz. O que o mundo não sabe é que a única felicidade possível vem de Deus. O que o mundo não sabe é que afastar-se de Deus é iniquidade, e que a “iniquidade nunca foi felicidade”(2).

Infelizmente, na busca pela autossuficiência, alguns se esquecem de uma verdade: Ninguém é autossuficiente de Deus. Sempre seremos dependentes Dele. Busque a autossuficiência espiritual em Deus, e você a encontrará.

2 – Seja Reverente

Muitos associam reverência a fazer silêncio nas reuniões ou a estar quieto nas reuniões. Reverência é mais que isso. É respeito pelas coisas sagradas. A reverência deve ser demonstrada não apenas pelo silêncio, mas, principalmente, pelas palavras, ações e comportamentos.

A reunião sacramental é sagrada e, por isso, devemos ter reverência para com ela. Os corpos dos filhos de Deus são sagrados, e, por isso, devemos ter reverência para com eles. A vida é sagrada, e merece nossa reverência.

Estar em silêncio na reunião sacramental, ou em outra reunião, mas com a mente fervilhando de pensamentos distantes das coisas sagradas, é irreverência.

Estar em silêncio na reunião sacramental, ou em outra reunião, mas vestido de modo contrário ao padrão que o Senhor determinou para a proteção do corpo, é irreverência.

Estar em silêncio na reunião sacramental, ou em outra reunião, mas com um sentimento negativo, de não perdão, contra um irmão, é irreverência.

Estar em silêncio na reunião sacramental, ou em outra reunião, mas com atitudes que não condizem com o que é sagrado, é irreverência.

A reverência deve ser vivida além dos muros da capela. A juventude é o principal alvo do inimigo nesta questão, pois ele tenta induzi-los a acreditarem que ser irreverente é bom e divertido. O mundo insere a irreverência no modo de vestir, nos livros, nas músicas, nos filmes e nas atitudes.

Trabalho como designer de web e, se há algo quase definitivo entre aqueles que trabalham com criação é de que, para ser criativo, a pessoa tem que ser irreverente. Mais uma falsidade de Satanás. O poder criativo nada tem a ver com a irreverência. Na realidade, ela até mesmo pode atrapalhar. Jesus Cristo é o criador de tudo o que há, desta imensidão de cores e formas, da tamanha beleza que vemos em nosso mundo e em mundos sem fim. E Ele é totalmente reverente.

Ser reverente é mais que fazer silêncio ou ficar quieto. É adotar a postura adequada de um verdadeiro cristão. A postura no falar, no agir, no pensar e no vestir, que você teria ao lado do próprio Salvador Jesus Cristo.

3 – Cuidado com a permissividade pessoal e dos outros

Primeiro vamos entender o que é arbítrio e o que é liberdade:

“Arbítrio [é] um dom concedido por Deus (…), o poder de escolha. (…) Liberdade (…) [é] o poder de agir segundo nossas escolhas.”(3)

Há algumas pessoas que tendem a compreender o arbítrio como o direito à plena liberdade de ações. Isto é um erro. O dom do arbítrio não pode ser compreendido como um salvo-conduto para fazermos o que quisermos sem recebermos as consequências. Não confunda arbítrio com liberdade para pecar. Somente somos livres ao fazermos o que é certo. Se fizermos o que é pecado, entraremos no cativeiro de Satanás.

Quando fazemos o que é contrário à vontade de Deus, isto é rebelião, e Ele nos castiga. Foi assim com Lúcifer e um terço das hostes celestes na existência pré-mortal. Foi assim com Caim. Foi assim com Ananias e Safira. Foi assim com muitos outros ao long da história.

Não aceite a rebelião contra Deus em sua vida. Não aceite em sua vida alguém que está em rebelião contra Deus. Não se associe com os que praticam iniquidade. Ame o pecador, mas não tolere o pecado. Não seja permissivo.

Ao ter a consciência do pecado, tire-o da sua vida imediatamente. Não racionalize. Não permita que pseudoamizades, ou que sentimentos de apego a costumes e tradições pessoais errôneas, levem a sua vida a um rumo contrário ao verdadeiro caminho, que é Jesus Cristo. Cuidado com a permissividade, com o uso errado do arbítrio e da liberdade.

4 – Não seja um ignorante das coisas do Senhor

Diante de tantas informações hoje no mundo, eu decidi adotar o sistema de ignorância seletiva: decido aquilo sobre o que eu não quero saber em profundidade. Sobre algumas coisas eu não quero saber nada. Esta atitude me permite ter tempo e disposição para aprender o que de fato me fará progredir pessoal, profissional e espiritualmente.

Contudo, não adoto este sistema para as coisas do evangelho. Do que se ensina na Igreja, seja por meio de discursos, aulas, revistas, livros, e o que mais for, eu desejo aprender tudo e me empenho para isso. Estudo, assisto, pergunto, participo, me envolvo e tomo nota de tudo o que puder. Depois, reviso tudo novamente. Tenho sede, avidez por aprender o evangelho, a doutrina e o programa da Igreja.

Com tristeza, percebo que há muitos que parecem ter decidido viver em ignorância seletiva das coisas do Senhor. Não estudam as escrituras, são meros ouvintes passivos nas aulas que sequer estudaram em casa, não frequentam o Seminário ou o Instituto, não se esforçam para coletar um registro sequer de sua história familiar, não leem um discurso de A Liahona, não estudam as normas que regem seus chamados, não realizam noites familiares, não frequentam as reuniões gerais ou de liderança do sacerdócio, não pagam um dízimo honesto, não contribuem com ofertas, não jejuam, não participam das atividades da ala, não frequentam o Templo e não atendem a uma série de outros requisitos de um membro da Igreja.

Infelizmente, já conheci alguns nesta condição. É como se tivessem ligado o piloto automático e fizessem tudo apenas porque viram outros fazerem ou porque já sabem fazer. Eles estão na Igreja, mas apenas fisicamente. Não conseguem conversar mais do que meia hora sobre o evangelho. Quando muito, falam sobre um ou dois assuntos que adotaram para satisfazerem suas mentes.

Todos temos nossas limitações e o Senhor as conhece muito melhor do que nós mesmos. Ninguém tem que tornar-se um doutor em doutrina do evangelho e nem participar de absolutamente tudo o que existe na Igreja. Não é disto que falo, mas da perigosa atitude de conformação com a mesmice, do evidente desinteresse, da clara apatia espiritual de alguns.

“Um grande número de nossos membros perdeu de vista as coisas essenciais do evangelho de Jesus Cristo e sofre de uma apatia espiritual”(4)

5 – Mude

Se você fosse uma casa, que tipo de reforma você acha que seria feita nela, se o mestre de obras fosse o Senhor? Uma pintura e uma ajeitada nas goteiras do telhado? Ou será que ele ampliaria a casa, faria mais cômodos, embelezaria todo o ambiente, e transformaria seu pequeno casebre em um palácio, digno de receber um rei, Ele, o Rei dos Reis? Certamente, uma mudança assim levaria tempo, recursos e esforço, mas valeria a pena.

Não será sem dor, sem deixar coisas para trás, que sua vida mudará. Pequenas reformas que só embelezam por fora não resolvem para o Senhor. Você precisa mudar totalmente. Mudar seus pensamentos, mudar seu linguajar, mudar sua maneira de se vestir, mudar suas ações, mudar seus sentimentos. Embora seja doloroso e requeira um grande esforço, mudar é necessário e é bom. Para que você se torne a nova pessoa na qual o Senhor espera que você realmente se torne, é preciso tomar a atitude correta. Posicionar-se. Decidir-se. É preciso ter fé de que o Senhor pode fazer você mudar. O Senhor exige fé. Satanás, não.

Como ponto inicial da sua mudança, decida obter um testemunho firme do evangelho. Um testemunho é dom de Deus e nós o recebemos através do Espírito Santo. Embora no início de nossa jornada no evangelho nós normalmente nos guiemos pela luz alheia, não é possível permanecer assim para sempre. Cada um deve ter a sua própria lâmpada, abastecida com o seu próprio óleo. Eu chamo o óleo da lâmpada de “santidade”. Precisamos adquirir santidade, que é o que mantém viva a chama do nosso testemunho. Quando fazemos as coisas como o Senhor requer, adquirimos santidade. Quando deixamos de fazer as coisas como o Senhor requer, perdemos santidade – o óleo – e nossa chama torna-se pequena, nosso testemunho se enfraquece.

Quando eu era um adolescente, tive algumas fraturas e luxações. Por causa disto, usei muletas por três meses. Eu subia e descia as escadas de quatro andares de uma escola todos os dias, apoiado naquelas muletas de madeira. Não era fácil usar as muletas. Embora parecesse simples, havia a dor nos braços pela força que eu fazia para sustentar o meu corpo. E, por mais que as muletas me ajudassem, na verdade, elas jamais poderiam me dar a agilidade, a liberdade e a velocidade que eu queria e precisava ter ao caminhar. Sinto que há, por alguns, a tendência de usar alguém como muleta espiritual, como apoio permanente e achar que está tudo bem. Na verdade, quando estamos usando alguém como muleta, não conseguimos adquirir a agilidade, a liberdade e a velocidade necessárias para a vivência do evangelho. Todos devemos apoiar uns aos outros, mas nenhum de nós deve usar o outro como muleta, como substituto de suas próprias pernas, espiritualmente falando.

Eu não sei o que você precisa mudar em sua vida, para que ela se coloque de acordo com os requisitos estabelecidos pelo Senhor para a salvação da sua alma. Mas sei que há três tipos de atitudes para com as fraquezas: acomodar-se a elas, desesperar-se com elas, ou agir para vencê-las.

Sejamos autossuficientes, sejamos reverentes, tenhamos cuidado com a permissividade, não sejamos ignorantes nas coisas do Senhor e mudemos! Sei que estas ações são possíveis e necessárias no trabalho de salvação de nossas almas. Confiemos no Senhor para ajudar-nos neste processo de conversão real, de novo nascimento, de transformação pessoal completa. Ele pode fazer isto com cada um de nós, eu sei.

Referências

(1) Presidente Marion G. Romney, “A Natureza Celestial da Auto-Suficiência”, A Liahona, março de 2009
(2) Alma 41:10
(3) Presidente Dallin H. Oaks, “O Arbítrio e a Liberdade”, A Book of Mormon Treasury: Gospel Insights from General Authorities and Religious Educators, 32-46.
(4) Presidente Dallin H. Oaks, “A Melhor Maneira de Resgatar os Membros É Fortalecer Sua Fé em Cristo”, Conferência Multiestacas de Liderança do Sacerdócio, Bellevue, Washington.


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