“O que faremos diferente (…)?”

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Em sua mensagem de encerramento da conferência geral de outubro de 2021, o Presidente Russell M. Nelson1Presidente Russell M. Nelson, “Reservar tempo para o Senhor”, conferência geral de outubro de 2021 falou por exatos 5 minutos e 49 segundos. Parece pouco tempo, mas foi o suficiente para anunciar a construção ou renovação de 14 templos e ensinar a verdade de modo impactante.

Presidente Nelson explicou que “as vozes e a pressão do mundo são envolventes e numerosas. Porém, muitas vozes são enganadoras, sedutoras e podem nos desviar do caminho do convênio.” Então, com um semblante amoroso, ele disse: “A fim de evitar a tristeza e o desespero inevitáveis provenientes dessas vozes, suplico a vocês hoje que combatam as tentações do mundo ao reservarem tempo para o Senhor em sua vida — hoje e todos os dias.” Depois, como se quisesse enfatizar a urgência e seriedade do que estava falando, ele repetiu: “Meus irmãos e irmãs, suplico a vocês que reservem tempo para o Senhor!”

Como se suplicar amorosamente não fosse algo já tão especial e suficiente para que cada um de nós buscasse reservar tempo para o Senhor em nossas vidas, o profeta do Senhor ainda nos indicou como podemos fazer isso. Ele disse: “buscando o Senhor por meio da oração e do estudo do evangelho diários”, “[colocando] Jesus Cristo no centro de nossa vida”, “[tornando] o Dia do Senhor deleitoso ao [adorarmos] a Ele, ao [partilharmos] do sacramento e ao [santificarmos] o dia Dele”, e “[prestando] serviço e a adoração no templo”.

Em outro trecho de sua mensagem, falando sobre os ensinamentos que havíamos recebido, Presidente Nelson nos fez uma pergunta: “O que faremos diferente em nossa vida em razão do que ouvimos e sentimos?” Quero me concentrar nesta pergunta.

O profeta ressaltou que “a pandemia demonstrou o quanto a vida pode mudar rapidamente, às vezes devido a circunstâncias que estão fora de nosso controle”. É verdade que todos nós tivemos nossas vidas e nossa rotina alteradas pela pandemia. Alguns tiveram que modificar sua forma de trabalhar e outros chegaram mesmo a perder seus empregos ou negócios. Alguns ficaram sem estudar e outros tiveram desafios financeiros sérios. Alguns sofreram com os efeitos físicos e emocionais da doença, seja por terem contraído o vírus ou por terem perdido familiares e amigos. Seja qual for o caso, todos sentimos os efeitos de viver em um ambiente de inconstância, sobre o qual não temos controle algum.

Felizmente, essa realidade não é permanente nem absoluta. “Há muitas coisas que podemos controlar”, disse o Presidente Nelson, indicando três áreas que estão sob nosso controle, apesar das circunstâncias: “Estabelecemos nossas próprias prioridades e determinamos como usamos nossa energia, nosso tempo e nossos recursos. Decidimos como vamos tratar uns aos outros. Escolhemos as pessoas que nos ajudarão a buscar verdade e orientação”.

Pensando nessas três áreas sugeridas pelo profeta, voltamos à sua pergunta: “O que faremos diferente em nossa vida em razão do que ouvimos e sentimos?”

Gostaria de sugerir algumas ações e atitudes que poderão nos ajudar a alcançarmos sucesso nas área de controle apresentadas pelo Presidente Nelson.

Estabelecer nossas próprias prioridades e determinar como usamos nossa energia, nosso tempo e nossos recursos.

Todos devemos ter metas pessoais e familiares, e usar nossa energia, nosso tempo e nossos recursos para alcançá-las. Porém, é importante que, de tempos em tempos, façamos uma revisão dessas metas, para que avaliemos se elas ainda são relevantes e se vale a pena colocar nosso esforço nelas.

Há outra avaliação que precisamos fazer sobre nossas metas: se elas nos levam a Cristo. As metas que nos ajudam a trilhar o caminho do convênio devem ter prioridade sobre quaisquer outras. Não importa se a meta é educacional, profissional, financeira, física ou emocional, ela deve nos ajudar a nos aproximarmos mais do Salvador Jesus Cristo. As conquistas próprias desse mundo são passageiras e só têm valor real se nos ajudarem a sermos pessoas melhores, aumentando nosso amor ao Senhor e aos Seus filhos.

Aplicar energia, tempo e recursos para alcançar algo que não nos torna melhores filhos e filhas de Deus, não é investimento, mas desperdício. Seja o que for que custe nosso relacionamento com o Senhor, é algo caro demais.

Devemos ter especial cuidado sobre o que o mundo tenta nos convencer a estabelecermos como nossas prioridades. Com “filosofias dos homens mescladas com escrituras” 2Élder Jeffrey R. Holland, “Mestre, Vindo de Deus”, Conferência Geral, abril de 1998, o mundo apresenta conceitos que podem parecer agradáveis, corretos e aceitáveis quando olhamos para eles com a rapidez e superficialidade que estes tempos modernos parecem exigir. Porém, com um olhar mais ponderado e a ajuda do Espírito Santo, é possível vermos inconsistências nesses conceitos e como eles são incompatíveis com as crenças, os valores e os convênios que fizemos com nosso Pai Celestial.

Ao estabelecer nossas metas, devemos analisá-las em “luz e verdade”3Doutrina e Convênios 93:36. Toda verdade emana de Cristo4João 14:6 e, portanto, é luz, ao contrário das obras más que os homens praticam ou admiram em oculto. Devemos colocar nossa energia, nosso tempo e nossos recursos em luz, não em trevas.

Uma vez determinadas as nossas metas, devemos confiar no Senhor, no seu tempo e na Sua sabedoria. Ele prepara o caminho51 Néfi 3:7. Quando Leí chegou com sua família à terra de Abundância, encontrou “muitas frutas e também (…) mel silvestre”61 Néfi 17:5. Néfi reconheceu que “todas essas coisas foram preparadas pelo Senhor, a fim de que não [perecessem]”. Quantas décadas – ou talvez séculos – foram necessários para que aquele ambiente favorável estivesse ali, disponível para eles, naquele momento? Em comparação com as bênçãos recebidas, todos os anos da jornada no deserto, comendo carne crua e vivendo com poucos recursos, “não [duraram] mais que um momento”7Doutrina e Convênios 121:7. Todos ficamos admirados pelo tempo que Abraão e Sara esperaram8Gênesis 17:16-17,19 até que o Senhor lhes concedeu um filho, e o tempo que esse teve que esperar, até os quarenta anos de idade9Gênesis 25:20, para que seu pai buscasse uma esposa para ele, conforme o costume da época. Mas, se não tivesse sido assim, se as coisas tivessem acontecido mais rápido, no chamado “tempo normal”, Isaque teria se casado com outra mulher, não com Rebeca, que era bem jovem quando o servo de Abraão a encontrou. A suposta demora pela bênção foi, na verdade, uma parte adicional da bênção, pois Rebeca era “aquela que [o Senhor designou a] Isaque”10Gênesis 24:14.

Decidir como vamos tratar uns aos outros.

Segundo um extenso relatório publicado no início de 202011We Are Social, “Digital 2020 Brazil”, DataReportal.com, 17 de fevereiro de 2020, 140 milhões de brasileiros possuem, em média, 9,4 contas em mídias sociais cada. Isso nos leva ao incrível número de mais de 1,3 bilhão de perfis criados. Por meio desses perfis nas mídias sociais, as pessoas procuram atender a algumas de suas necessidades básicas: serem ouvidas, serem reconhecidas e pertencerem. Com tantas pessoas publicando ao mesmo tempo, várias vezes ao dia, não é difícil imaginar que é possível encontrar conteúdos sobre quaisquer tipos de assuntos no mundo virtual. Com as postagens, vêm as interações, como os compartilhamentos e as “curtidas”. Assim, está formada a tempestade perfeita para o embate de ideias, que resulta em confusão e incompreensões.

“A incompreensão é o prelúdio da ofensa”12Élder James E. Talmage, “Jesus, O Cristo”, capítulo 18, disse o Élder James E. Talmage. Uma das armadilhas que o inimigo da verdade tem utilizado nestes últimos dias – e que tem atingido muitos cristãos -, é a divulgação de informações que provocam o ódio no coração das pessoas. O ódio é “uma forte aversão a alguém ou alguma coisa”13Guia Para Estudo das Escrituras, “Odiar, Ódio”. Sei que, a princípio, isso pode parecer ser contraditório, pois nenhum cristão deseja espalhar o ódio, exceto o ódio ao mal14Philip Paul Bliss, “Mais Vontade Dá-me”, Hinário . Mas aí é que está o ardil. Pessoas boas são induzidas a espalhar notícias ou comentários ruins sobre todo tipo de assunto, imaginando que estão apenas informando outras pessoas, prestando um serviço a elas ou mesmo alertando-as sobre algum “perigo iminente”. Ocorre que informações negativas sobre algo ou alguém cumprem o propósito do inimigo e não do Senhor. Jamais algo ruim pode ser inspirado pelo Espírito Santo15Doutrina e Convênios 36:2. E, de nenhum modo, transmitir estas más palavras é um serviço a alguém. Na verdade, quando alguém compartilha algo depreciativo sobre outra pessoa, ele se torna um agente de ataque, não de defesa.

Os verdadeiros cristãos precisam ser moderados em suas palavras e ações. Embora neste mundo de classes, tribos e fronteiras as diferenças sejam valorizadas, não devemos ver monstros e inimigos em nenhum dos lados, porque em todos os lugares há pessoas boas, honestas e que realmente querem fazer o seu melhor. Quando julgamos temas, palavras e atitudes, definimos conceitos que balizam nossa conduta. Quando julgamos pessoas por seus temas, palavras e atitudes, agimos com preconceito. O preconceito não é um preceito cristão, e os preceitos cristãos não são preconceito.

Escolher as pessoas que nos ajudarão a buscar verdade e orientação.

Que bênção é saber que podemos contar com pessoas que nos amam, em nossa busca pela verdade e por orientação em nossas vidas. Nossa família, nossos amigos e nossos líderes eclesiásticos estão entre as mais confiáveis dessas pessoas. Em especial, nossos pais, quando somos solteiros, e nosso cônjuge, quando somos casados, são aqueles a quem devemos buscar em primeiro lugar, quando precisamos de aconselhamento.

Nesta vida, não escolhemos nossos pais e não escolhemos nossos líderes eclesiásticos. Porém, de maneira muito significativa, o Senhor nos dá a bênção de escolhermos a pessoa que terá, por convênio, a maior responsabilidade de nos ajudar a buscar verdade e orientação: nosso cônjuge. Sabendo que o relacionamento conjugal é o centro de força da família e, por consequência, do progresso eterno, o inimigo procura minar esse elemento vital para nossa felicidade nesta vida e na vida futura.

Falando sobre isso, o Élder Bruce C. Hafen disse que existem três “lobos” que buscam destruir a confiança no casamento: “o ‘lobo’ da adversidade natural”, “o ‘lobo’ das imperfeições pessoais”, e “o ‘lobo’ do individualismo excessivo”16Élder Bruce C. Hafen, “O Convênio do Casamento”, A Liahona, janeiro de 1997.

Tratando sobre esse último “lobo” devorador do sentimento correto sobre o casamento, ele afirmou: “O adversário vem há muito tempo cultivando essa ênfase excessiva na autonomia pessoal, tendo passado agora a explorá-la ardorosamente. Nosso instinto mais profundo concedido por Deus é o de correr para os braços daqueles que precisam de nós e nos apoiam. O adversário, porém, afasta-nos uns dos outros hoje, fomentando a desconfiança e a suspeita. Ele exagera a necessidade de termos nosso próprio espaço, de sermos independentes e de cuidarmos de nossa própria vida.”

Como nos ensinou o profeta do Senhor, Presidente Russell M. Nelson, que possamos decidir “o que faremos diferente em nossa vida em razão do que ouvimos e sentimos”, “[estabelecendo] nossas próprias prioridades e [determinando] como usamos nossa energia, nosso tempo e nossos recursos, [decidindo] como vamos tratar uns aos outros, [e escolhendo] as pessoas que nos ajudarão a buscar verdade e orientação”.

Referências
Referências
1 Presidente Russell M. Nelson, “Reservar tempo para o Senhor”, conferência geral de outubro de 2021
2 Élder Jeffrey R. Holland, “Mestre, Vindo de Deus”, Conferência Geral, abril de 1998
3 Doutrina e Convênios 93:36
4 João 14:6
5 1 Néfi 3:7
6 1 Néfi 17:5
7 Doutrina e Convênios 121:7
8 Gênesis 17:16-17,19
9 Gênesis 25:20
10 Gênesis 24:14
11 We Are Social, “Digital 2020 Brazil”, DataReportal.com, 17 de fevereiro de 2020
12 Élder James E. Talmage, “Jesus, O Cristo”, capítulo 18
13 Guia Para Estudo das Escrituras, “Odiar, Ódio”
14 Philip Paul Bliss, “Mais Vontade Dá-me”, Hinário
15 Doutrina e Convênios 36:2
16 Élder Bruce C. Hafen, “O Convênio do Casamento”, A Liahona, janeiro de 1997

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