O mundo segue seus “césares”. O povo do Senhor segue Seu profeta!

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César era um título do Império Romano, que deriva do nome do Imperador Caio Júlio César. Outros impérios utilizaram variantes deste título (Czar, no Império Búlgaro e no Império Russo, e Kaiser, no Império Austríaco, no Império Austro-Húngaro e no Império Alemão). “É usado nas escrituras como símbolo do governo ou poder do mundo.”(1)

Uma passagem muito conhecida da vida terrena do Salvador faz referência ao César: “Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não? Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um denário. E ele disse-lhes: De quem são esta efígie e esta inscrição? Disseram-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus, o que é de Deus.”(2)

Esta posição que se requer de todos nós, de devermos submissão aos líderes terrenos e aos líderes divinamente comissionados, dando a cada um o que lhe é devido, tem se mostrado um grande teste de fidelidade dos Santos dos Últimos Dias. Isto porque, na busca do tão falado “equilíbrio” entre o que é deste mundo e o que é eterno, alguns parecem acreditar que devem dar a César e ao Senhor a mesma medida de credibilidade e submissão. Ou, para continuar no ensinamento do Salvador, alguns parecem crer que a moeda do César tem o mesmo valor que a “moeda” do Senhor. E este é um terrível engano!

Embora os Santos dos Últimos Dias creiam “na submissão a reis, presidentes, governantes, e magistrados”(3), sabem que estes “césares” não possuem a verdade pura como base para as suas ideias e decisões, que são geralmente motivadas por interesses políticos, econômicos e sociais diversos. Os Santos também sabem que as ideias e decisões plenamente confiáveis, baseadas na verdade pura, proveem apenas dos servos do Senhor na Terra, os profetas. Crer nestes servos divinos e submeter-se plenamente a estas ideias e decisões verdadeiras é muito mais necessário e importante que a submissão aos líderes temporais.

Não estou sugerindo que uma pessoa esteja, por qualquer interpretação – pessoal ou coletiva – de determinada doutrina ou ensinamento religioso, justificado de uma ação contrária ou omissão sobre o que a lei terrena determinar. O Senhor disse: “Que ninguém quebre as leis do país, porque o que guarda as leis de Deus não tem necessidade de quebrar as leis do país.”(4) O que afirmo é a evidente superioridade da verdade divina sobre o entendimento humano, por melhor e mais elaborado que este seja. E é à verdade – e não às ideias humanas – que devemos seguir, sempre.

Devemos viver nesta vida em obediência aos “césares” e suas leis, mas, em nosso coração, dedicarmos total submissão ao Senhor e Suas leis. Permitir-nos sermos moldados pelas verdades divinas enquanto vivemos sob as ideias errantes e inconstantes de líderes terrenos, exige de cada um de nós disciplina, resiliência, foco e coragem. Pregar a verdade mesmo quando todos parecem querer apenas defender o seu César favorito, é prova de maturidade espiritual. É evidente que as questões terrenas, de natureza política, econômica ou social, são importantes e necessárias. O que trato aqui é da prioridade que damos a essas questões. E do quanto nossa atenção e envolvimento com elas pode nos afastar das verdades divinamente reveladas.

Especialmente quando nossa posição no reino de Deus nos torna não apenas capazes de influenciar outros, mas responsáveis por sua salvação temporal e espiritual, é ainda mais essencial saber reconhecer e diferenciar as verdades divinas das ideias humanas. Mais que isso, aqueles que exercem qualquer tipo de liderança sobre os Santos devem pensar duas vezes antes de externar sua posição sobre quaisquer questões políticas, econômicas ou sociais não divinamente inspiradas, ou, em outras palavras, não proferidas pelos profetas. Não estou dizendo que não possam fazê-lo, mas que devem certificar-se que estas estejam realmente alinhadas com o que os profetas têm dito. Aquele que lidera não tem o direito de opinar de forma contrária à palavra do profeta.

Antes de defender as ideias ou decisões de um César qualquer, pondere, sem paixões, se elas estão de acordo com as palavras dos profetas. São as palavras dos profetas que devem ser proclamadas. Nunca devemos nos esquecer disso. Tratar as palavras dos profetas como secundárias ou desnecessárias de serem levadas em consideração, é dar ao César mais importância que ao Senhor. É triste ver um líder da verdadeira Igreja de Jesus Cristo, com o encargo de guiar o povo do Senhor em Seu Caminho, andar ele mesmo em “veredas tortuosas”(5) e tentar levar o rebanho do Senhor por estes caminhos estranhos à verdade revelada, unicamente para defender suas próprias crenças em ideias proferidas por “césares” mundanos.

Falando sobre isso, o Irmão Marcus H. Martins, Professor da BYU Hawaii, afirmou: “Como no momento nosso principal modo de comunicação são as mídias sociais, minha expectativa é que as postagens dos atuais líderes da Igreja – especialmente aqueles que exercem as chaves do santo sacerdócio – sejam totalmente alinhadas com a substância e o tom exemplificados pelos profetas e apóstolos. Sem dúvida, todos os bispos, presidentes de estaca, e setentas têm e sempre terão direito a suas opiniões e posições políticas pessoais. Mas enquanto servem em chamados que requeiram que eles sejam a “voz da Igreja” localmente, eles precisam exercer moderação extra. (…) Em minha opinião, seria aconselhável que líderes da Igreja evitem repassar postagens contendo debates controversos, teorias de conspiração e afirmações infundadas frequentemente criadas por pessoas com intenções escusas. (…) Os líderes locais da Igreja são os guardiões das chaves sagradas do santo sacerdócio. Eles têm direito à revelação pessoal para discernir o que é verdadeiro ou falso sobre informações que afetarão vidas em suas congregações locais (Doutrina e Convênios 46:27-28). O Senhor pode guiá-los nesse sentido, para que eles possam instruir seus respectivos membros com palavras de verdade e sobriedade. (Atos 26:25; Jacó 2: 2; Mosias 4: 5; Alma 42:31; Doutrina e Convênios 18:21)”(6)

Especialmente neste momento de tamanha dificuldade de compreendermos o que virá em seguida, e que dar um passo seguro de cada vez se faz tão necessário, mais se requer que aqueles chamados para guiar o povo do convênio estejam livres de paixões mundanas e cada vez mais apegados às firmes palavras dos profetas.

Abaixo, listo uma coleção de ideias divulgadas recentemente por diversos “césares” e, em sequência, o que os profetas têm dito a respeito. Avalie, sinceramente, qual tem sido sua posição pessoal, se a do César ou a do Senhor, por meio de seus profetas. Pondere quais destas ideias e afirmações você tem divulgado em suas redes sociais, se as do mundo, ou as divinas. Proponho este exercício para que percebamos o quanto podemos nos envolver nos enganos do mundo e nos esquecer de qual é a vontade e a verdade do Senhor para nossos dias.

César: “Devemos nos preocupar unicamente com a saúde.” “Devemos nos preocupar unicamente com a economia.”
Profeta: “Meus queridos irmãos, irmãs e amigos, sei que a preocupação com sua saúde, com a saúde de sua família, com a economia e com seu emprego não sai de sua mente neste momento.”

César: “A solução virá unicamente pela ciência.” “A ciência não importa, mas apenas a nossa fé.”
Profeta: “Como médico e cirurgião, tenho grande admiração por profissionais da área da saúde, pelos cientistas e por todas as pessoas que estão trabalhando incansavelmente com o intuito de controlar a propagação do COVID-19. Eu também sou um homem de fé, e eu sei que, durante esses tempos difíceis, podemos ser fortalecidos e elevados quando invocamos a Deus e Seu Filho Jesus Cristo, o Mestre que Cura.”

César: “Não devemos ser cidadãos globais, mas apenas valorizar nosso país.”
Profeta: “Após orações e uma consideração cuidadosa, e com o desejo de sermos cidadãos globais responsáveis, decidimos suspender toda a atividade dos templos em toda a Igreja.”

César: “O COVID-19 é algo simples, sem perigo.” “Isso é tudo uma histeria provocada pela mídia.”
Profeta: “Estamos profundamente preocupados com a disseminação global de doenças causadas pelo COVID-19.”

César: “Devemos ir para as ruas e tudo deve funcionar normalmente.”
Profeta: “Todas as reuniões da Igreja – incluindo reuniões sacramentais, conferências de estaca, conferências de liderança e atividades de estaca, ramo ou ala – serão suspensas imediatamente à medida que a rápida disseminação da COVID-19 continua em todo o mundo.”

César: “Não precisamos nos preocupar com cuidados especiais de higiene e restrições de contato físico.”
Profeta: “Lave regularmente e cuidadosamente as mãos com água e sabão ou limpe-as com álcool. (…) Evite tocar seus olhos, nariz e boca. (…) Limpe e desinfete os objetos e superfícies tocados com frequência usando um spray ou pano de limpeza doméstico comum. Siga as recomendações das agências de saúde pública sobre usar uma máscara facial.”

César: “Devemos resolver nossos problemas sozinhos, com nosso próprio conhecimento.”
Profeta: “Nós nos aconselhamos com líderes governamentais, eclesiásticos e médicos do mundo inteiro.”

César: “A Organização Mundial da Saúde não deve ser ouvida por ter interesses não revelados.”
Profeta: “Seguimos as recomendações da Organização Mundial da Saúde, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças e das autoridades locais em todo o mundo.”

César: “Não devemos respeitar leis injustas.”
Profeta: “A Igreja ensina que seus membros devem apoiar e cumprir as leis do lugar em que residem. Esses governos promulgam leis que, em seu próprio julgamento, são as que melhor garantirão o interesse público.”

César: “Retirar o direito de ir e vir é parte de um plano de dominação mundial.”
Profeta: “Reconhecemos que, em circunstâncias excepcionais, todos os direitos individuais podem ficar restritos por um tempo para proteger a segurança do público em geral.”

César: “A China deve ser encarada como inimiga.” “Devemos rejeitar a China, porque ela planeja controlar o mundo.”
Profeta: “O presidente Russell M. Nelson desfruta de uma associação de décadas com a República Popular da China.”

César: “A China é a culpada por esta pandemia e deve sofrer por isso.”
Profeta: “Assim, com a crescente preocupação com o coronavírus da doença respiratória na China, capturando manchetes em todo o mundo, o Presidente da Igreja procurou seus amigos na nação asiática com uma sincera pergunta: Como podemos ajudar?” As autoridades chinesas responderam com um pedido para que a Igreja fornecesse equipamento de proteção para ajudar a conter a propagação da doença.”

Assim como ocorreu nos grandes eventos da história da humanidade, o mundo presta atenção aos seus “césares”, enquanto o Senhor opera por meio daqueles que Ele escolheu para a realização de Sua grande obra. Temos nos colocado na posição de estarmos realmente livres de quaisquer conceitos mundanos, para estarmos também entre estes escolhidos? A quem estamos ouvindo? Ao Senhor, por meio de Seus profetas, ou aos “césares” de nossos dias? Que nos coloquemos diante dos Santos e do mundo, como vozes que proclamam as palavras dos profetas divinamente chamados, não dos “césares” disfarçados de falsos profetas de nosso tempo.

Referências

(1) Guia para Estudo das Escrituras, César
(2) Mateus 22:17-21
(3) Regras de Fé 1:12
(4) Doutrina e Convênios 58:21
(5) Doutrina e Convênios 3:2
(6) Perfil oficial do Irmão Marcus H. Martins no Facebook


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