Creio na Bíblia!

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Ao contrário do que muitos outros cristãos pensam e afirmam, os Santos dos Últimos Dias leem, creem e pregam a Bíblia. Uma vez a cada quatro anos, todos os Santos dos Últimos Dias focam suas atenções no Velho Testamento, em seu estudo pessoal, familiar, nas classes da Escola Dominical, da Primária e também em seus cursos de religião de estudo diário para jovens (Seminário) e semanal para jovens adultos (Instituto). O mesmo ocorre com o Novo Testamento, também a cada quatro anos. O Livro de Mórmon e Doutrina e Convênios são estudados nos dois anos restantes do quadriênio de estudos da Igreja. A partir de 2020, as classes das moças e os quóruns do Sacerdócio Aarônico também passarão a estudar tópicos derivados do volume de escrituras que estiver sendo estudado no ano.

Evidentemente, ao estudar um volume de escrituras, as ligações deste com as demais escrituras são estimuladas, de modo que os leitores possam obter um panorama mais amplo e confiável da historicidade, do significado e da aplicabilidade do conteúdo das escrituras. Explorar as muitas correlações entre os ensinamentos escriturísticos antigos e modernos auxilia os leitores a compreenderem, com mais facilidade e confiabilidade, a complexidade das doutrinas e princípios ensinados.

A 8ª Regra de Fé de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, afirma: “Cremos ser a Bíblia a palavra de Deus, desde que esteja traduzida corretamente; também cremos ser o Livro de Mórmon a palavra de Deus.”(1) Gostaria de dividir esta declaração de crença em três partes, a fim de apresentar como e porque os Santos dos Últimos Dias são, provavelmente, o grupo religioso que mais estuda, conhece e vive os ensinamentos sagrados da Bíblia.

“Cremos ser a Bíblia a palavra de Deus”

Para os Santos dos Últimos Dias, a Bíblia é uma “coleção de escritos hebraicos e cristãos que contém revelações divinas. (…) [É] obra de muitos profetas e autores inspirados, que agiram sob a influência do Espírito Santo. (…) A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias reverencia e respeita a Bíblia; afirma também que o Senhor continua a dar revelação adicional por meio de Seus profetas nos últimos dias, a qual apoia e confirma os relatos bíblicos dos procedimentos de Deus com a humanidade.”(2)

O Élder James E. Talmage ensinou: “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias aceita a Bíblia Sagrada como a principal de suas obras-padrão, e a primeira entre os livros que foram proclamados como seus guias escritos na fé e na doutrina. No respeito e santidade com que os Santos dos Últimos Dias têm a Bíblia, concordam com denominações cristãs em geral, mas diferem delas no reconhecimento adicional de certas outras escrituras como autênticas e sagradas, as quais estão em harmonia com a Bíblia e servem para apoiar e enfatizar seus fatos e doutrinas. Os dados históricos e outros que estão na base da atual fé Cristã quanto à autenticidade do registro bíblico, são aceitos sem questionamento pelos Santos dos Últimos Dias tanto quanto são aceitos por membros de qualquer denominação; e na literalidade da interpretação, A Igreja de Jesus Cristo provavelmente se sobressai.”(3)

Como vemos, os Santos dos Últimos Dias adotam, em relação à Bíblia, o mesmo respeito que quaisquer outros cristãos. Então, o que torna a relação dos Santos dos Últimos Dias com a Bíblia tão especial? Não enxergamos a Bíblia como um livro encerrado em si mesmo, cujo texto é o ensinamento final. Não baseamos nossa fé apenas na palavra escrita. Acreditamos no que está escrito como meio para se obter um maior conhecimento, por meio da revelação.

O Presidente Dallin H. Oaks explicou: “O que nos diferencia da maioria dos outros cristãos na maneira como lemos e usamos a Bíblia e outras escrituras é a nossa crença na revelação contínua. Para nós, as escrituras não são a fonte suprema de conhecimento, mas o que precede a fonte suprema. O conhecimento final vem por revelação. Com Morôni, afirmamos que quem nega a revelação ‘não conhece o evangelho de Cristo’ (Mórmon 9: 8). A palavra do Senhor nas escrituras é como uma lâmpada para guiar nossos pés (ver Sal. 119: 105), e a revelação é como uma força poderosa que aumenta muitas vezes a iluminação da lâmpada. Incentivamos todos a fazer um estudo cuidadoso das escrituras e dos ensinamentos proféticos a respeito deles e a buscar, em espírito de oração, revelação pessoal para conhecer seu significado.”(4)

A revelação obtida por meio do estudo diligente das escrituras deve ser o propósito desse estudo. Preparar a mente e o coração das pessoas para o recebimento de mais luz e verdade é o propósito das escrituras. Foi para isso que elas foram escritas e chegaram até nós.

Mais uma vez, o Presidente Oaks ensinou: “Acreditamos que Deus dará novas revelações sobre o significado das escrituras anteriormente canonizadas, significados que não eram evidentes em épocas anteriores. Essas novas revelações são de dois tipos: públicas e privadas. Revelações públicas (…) acontecem por meio daquelas que apoiamos como profetas, videntes e reveladores. (…) Revelações particulares [são dadas] aos buscadores individuais do significado das escrituras existentes.”(5)

O Élder Bruce R. McConkie disse: “Às vezes, acho que um dos segredos mais bem guardados do reino é que as escrituras abrem a porta para o recebimento de revelações”(6)

Assim, cremos que a Bíblia é a palavra de Deus, não apenas pelo seu conteúdo, mas pelo que esse conteúdo pode trazer em auxílio na busca da revelação por mais conhecimento. Se rejeitarmos essa revelação, apegando-nos apenas ao texto escrito, limitaremos nosso aprendizado das escrituras. Algo escrito há quatro mil anos tinha um significado naquele momento e pode adotar outro significado hoje.

O conhecimento maior está além do texto. O processo para se obter esse conhecimento superior é simples: a leitura das escrituras nos coloca em sintonia com o Espírito Santo, e o Espírito Santo nos dá mais conhecimento sobre o que está sendo estudado, ou seja, conhecimento além do texto escrito. Isso é adição ao texto? Sim, é. Isso é alteração ou negação do texto? Não, não é.

“Cremos (…), desde que esteja traduzida corretamente”

A condicionante existente na 8ª Regra de Fé, que coloca a correção da tradução como requisito para aceitação da versão da Bíblia, não é uma declaração de desconfiança na Bíblia, mas de respeito pela pureza, autenticidade e confiabilidade do texto doutrinário. Podemos dividir os desafios existentes com o conteúdo da Bíblia em dois tipos: Erros de tradução e versões não inspiradas.

Os erros de tradução consistem de escolhas equivocadas, de modo intencional ou não, de certos termos utilizados para representar a ideia do texto original, e da supressão, de modo intencional, de certas partes do texto original.

Embora a Bíblia seja a palavra de Deus, e seja considerada por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias como um registro sagrado, infelizmente ela foi tratada com desrespeito por pessoas não autorizadas por Deus, e teve partes importantes de seu conteúdo retiradas ou modificadas, para que fossem escondidas muitas verdades do Evangelho de Jesus Cristo, com o propósito de manter os fiéis sob o jugo da ignorância da doutrina pura do Salvador Jesus Cristo, desviando-os da clareza da verdade e, assim, trazer lucro a quem deseja ensinar suas próprias filosofias mescladas com o texto bíblico.

Néfi viu esta situação e registrou:

“E aconteceu que eu, Néfi, vi que eles prosperaram na terra; e vi um livro que era levado entre eles.
E perguntou-me o anjo: Sabes o significado do livro?
E eu respondi: Não sei.
E ele disse: Eis que provém da boca de um judeu. E eu, Néfi, vi o livro. E disse-me o anjo: O livro que vês é um registro dos judeus, que contém os convênios feitos pelo Senhor com a casa de Israel; e contém também muitas das profecias dos santos profetas; e é um registro semelhante às gravações encontradas nas placas de latão, só que em menor número; não obstante, contém os convênios do Senhor com a casa de Israel, sendo, portanto, de grande valor para os gentios.
E disse-me o anjo do Senhor: Viste que o livro procedeu da boca de um judeu; e ao proceder da boca de um judeu, continha a plenitude do evangelho do Senhor, de quem os doze apóstolos testificam; e eles testificam de acordo com a verdade que está no Cordeiro de Deus.
Estas coisas, portanto, são transmitidas dos judeus aos gentios, em pureza, segundo a verdade que está em Deus.
E depois de transmitidas dos judeus aos gentios pela mão dos doze apóstolos do Cordeiro, vês a formação daquela grande e abominável igreja que é mais abominável que todas as outras igrejas; pois eis que tiraram do evangelho do Cordeiro muitas partes que são claras e sumamente preciosas; e também muitos convênios do Senhor foram tirados.
E fizeram tudo isso a fim de perverterem os caminhos retos do Senhor, a fim de cegarem os olhos e endurecerem o coração dos filhos dos homens.
Vês, portanto, que depois de haver o livro passado pelas mãos da grande e abominável igreja, foram suprimidas muitas coisas claras e preciosas do livro, que é o livro do Cordeiro de Deus.E depois que essas coisas claras e preciosas foram suprimidas, ele propagou-se por todas as nações dos gentios; e depois de ter-se propagado por todas as nações dos gentios, sim, mesmo do outro lado das muitas águas que viste com os gentios que saíram do cativeiro, vês que — por causa das muitas coisas claras e preciosas que foram suprimidas do livro, que eram claras ao entendimento dos filhos dos homens segundo a clareza que existe no Cordeiro de Deus — por causa dessas coisas que foram suprimidas do evangelho do Cordeiro, um grande número tropeça, sim, de tal maneira que Satanás tem grande poder sobre eles.”(7)

Devido a esta mutilação intencional sofrida pela Bíblia, verdades do evangelho de Jesus Cristo ficaram perdidas por muito tempo e levaram muitos ao erro. Por mais bem-intencionada que seja, nenhuma pessoa pode aprender ou ensinar com clareza a doutrina de Cristo contando apenas com um texto ao qual faltam partes importantes da doutrina. Daí que é essencial termos uma tradução inspirada da Bíblia, que possa corrigir esses erros.

O James E. Talmage tratou desse assunto: “(…) Os Santos dos Últimos Dias acreditam ser os registros originais a palavra de Deus para o homem e na medida em que tais registros tenham sido traduzidos corretamente, as traduções são consideradas igualmente autênticas. (…) Não poderá haver qualquer tradução absolutamente confiável (…), a menos que seja efetuado por meio do dom de tradução, como um dos dons do Espírito Santo. O tradutor deve ter o Espírito de Profecia, pois sabedoria humana por si só não é suficiente. Permitam que a Bíblia seja lida com reverência e em Espírito de oração, e dessa maneira o leitor através da luz do Espírito Santo poderá discernir entre a verdade e os erros dos homens.”(8)

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, como “a única igreja verdadeira e viva na face de toda a Terra”(9) e a detentora do direito de administrar e agir em todas as coisas em nome do Senhor, realizou esta tradução inspirada por meio do Profeta Joseph Smith, que iniciou o trabalho esclarecendo diversos pontos obscuros do texto bíblico. Os trechos corrigidos na Tradução de Joseph Smith da Bíblia é publicada hoje como parte dos Auxílios de Estudo das Escrituras. “O Senhor inspirou o Profeta a restituir ao texto da Bíblia do Rei Jaime verdades que haviam sido perdidas ou alteradas desde que o original fora escrito. Essas verdades restauradas esclareceram a doutrina e melhoraram a compreensão das escrituras. Por ter o Senhor revelado a Joseph algumas verdades que os autores haviam registrado anteriormente, a Tradução de Joseph Smith é diferente de qualquer outra tradução da Bíblia existente no mundo. Nesse sentido, a palavra tradução é usada em um sentido mais amplo e de forma diferente do habitual, posto que a tradução de Joseph foi mais uma revelação do que uma tradução literal de um idioma para outro.”(10)

Outro problema provém das versões não inspiradas da Bíblia. Quando eu servi missão em Brasília, visitei a sede da Sociedade Bíblica do Brasil naquela cidade, em 1991. Lá, encontrei diversas versões da Bíblia. Hoje, existem mais de 150 versões diferentes da Bíblia. Cada uma dessas versões traz modificações que buscam encaixar o texto na proposta editorial. Por exemplo, uma Bíblia na linguagem de hoje traz o texto modificado, com o uso de palavras modernas, que sequer existiam na época dos textos originais. Infelizmente, seja a utilização de termos modernizados ou a alteração na ordem das palavras em uma frase, essas mudanças sempre ocasionarão a deturpação do sentido real das palavras originais e tirarão delas o espírito da ideia que o autor queria transmitir.

Felizmente, a Igreja providenciou uma revisão da Bíblia em português e isso trouxe a clareza e a definição de um único texto a ser estudado, evitando a incômoda situação de, em uma mesma classe de estudo, termos três ou quatro versões de um mesmo versículo que esteja sendo estudado. “Eis que minha casa é uma casa de ordem, diz o Senhor Deus, e não uma casa de confusão.”(11) Quando utilizamos uma versão não autorizada da Bíblia, erramos duas vezes: primeiro, porque agimos contra o que declaramos como nossa crença, que é a 8ª Regra de Fé, utilizando uma versão que sabemos não ser inspirada; segundo, porque rejeitamos todo o trabalho feito por tradutores inspirados de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias para a produção de uma versão mais fiel ao texto original.

“Os membros de língua portuguesa devem usar a edição SUD [Santo dos Últimos Dias] da Bíblia. Essa edição inclui um guia de referências, notas de rodapé, trechos da Tradução de Joseph Smith, referências remissivas a outras passagens da Bíblia e do Livro de Mórmon, de Doutrina e Convênios e da Pérola de Grande Valor, bem como outros auxílios para estudo. Embora outras versões da Bíblia talvez sejam mais fáceis de ler, em questões doutrinárias, as revelações modernas apoiam a versão SUD [Santo dos Últimos Dias] da tradução de João Ferreira de Almeida e lhe dão preferência sobre outras traduções em português.”(Grifo nosso)(12)

Pode parecer mais cômodo usar uma versão modernizada da Bíblia, com texto de entendimento aparentemente facilitado, mas que coloca em dúvida a pureza doutrinária do texto escriturístico. Cremos na correta tradução da Bíblia. Essa declaração de crença deve ser suficiente para que deixemos de lado o desejo de comodidade na leitura e nos apeguemos à verdade como ela é, estudando a versão autorizada e inspirada da Igreja de Jesus Cristo.

Cremos (…) ser o Livro de Mórmon a palavra de Deus.

Como saber se uma tradução da Bíblia está correta? Não é possível comparar dois textos de maneira aleatória. É necessário haver um ponto de referência. E qual é esse ponto de referência? “A maneira mais confiável de avaliar a correção de qualquer tradução bíblica não é comparar diferentes textos entre si, mas comparar o texto com o Livro de Mórmon e com as revelações modernas.”(13)

O Profeta Joseph Smith disse que o Livro de Mórmon “(…) [é] o mais correto de todos os livros da Terra e a pedra fundamental de nossa religião; e que seguindo seus preceitos o homem se aproximaria mais de Deus do que seguindo os de qualquer outro livro.”(14) Longe de ser uma afirmação exclusivista, esta declaração estabelece um ponto de confiabilidade plena nos volumes escriturísticos, que, se observado, trará mais compreensão sobre os assuntos divinos ensinados por todas as escrituras. Foi o mesmo Profeta Joseph Smith quem declarou: “Se deixarmos de lado o Livro de Mórmon e as revelações, onde se apoiará a nossa religião? Nós nada temos.”(15)

A Primeira Presidência afirmou: “De tempos em tempos, há quem queira reescrever o Livro de Mórmon em inglês coloquial ou moderno. Desencorajamos esse tipo de publicação e chamamos atenção para o fato de o Livro de Mórmon ter sido traduzido “pelo dom e poder de Deus” (…) Quando um texto sagrado é traduzido para outra língua ou reescrito em uma linguagem mais acessível, existe um risco considerável de que esse processo venha a introduzir erros doutrinários ou obscurecer as evidências de sua origem antiga. Para evitar esses riscos, a Primeira Presidência e o Conselho dos Doze supervisionam pessoalmente a tradução das escrituras do inglês para outras línguas e não autorizam qualquer tentativa de expressar o conteúdo doutrinário do Livro de Mórmon em linguagem mais acessível ou moderna. (Isso não se aplica a publicações da Igreja para as crianças.)”(16)

Essa pureza preservada no texto do Livro de Mórmon em seu primeiro idioma de tradução, o inglês, e, em sequência, nos outros idiomas para os quais já foi traduzido, dá a este volume de escrituras o privilégio de poder ser considerado o grande balizador dos ensinamentos dos demais volumes.

Néfi viu esse poder do Livro de Mórmon e registrou:

“Vês, não obstante, os gentios que saíram do cativeiro e que foram elevados pelo poder de Deus acima de todas as outras nações, na face da terra, que é uma terra escolhida acima de todas as outras terras, que é a terra que o Senhor Deus prometeu a teu pai, por convênio, que seria a terra de herança de seus descendentes; vês, portanto, que o Senhor Deus não permitirá que os gentios destruam completamente a mescla de tua semente que está entre os teus irmãos.
Nem permitirá ele que os gentios destruam a semente de teus irmãos.
Tampouco permitirá o Senhor Deus que os gentios permaneçam para sempre naquele horrível estado de cegueira, no qual tu vês que estão, devido às passagens claras e preciosas do evangelho do Cordeiro que foram suprimidas por aquela igreja abominável, cuja formação tu viste.
Diz, portanto, o Cordeiro de Deus: Serei misericordioso para com os gentios, visitando os remanescentes da casa de Israel com grande julgamento.
E aconteceu que o anjo do Senhor me falou, dizendo: Eis que, diz o Cordeiro de Deus, depois de visitar os remanescentes da casa de Israel — e esses remanescentes de quem falo são a semente de teu pai — portanto, depois de visitá-los com julgamento e feri-los pela mão dos gentios; e depois que os gentios tropeçarem muito por causa das partes claras e preciosas do evangelho do Cordeiro, as quais foram retidas por aquela igreja abominável que é a mãe das meretrizes, diz o Cordeiro — serei misericordioso para com os gentios, naquele dia, tanto que lhes trarei pelo meu próprio poder muito do meu evangelho, que será claro e precioso, diz o Cordeiro.
Pois eis que, diz o Cordeiro: Eu me manifestarei a tua semente, de modo que ela escreverá muitas coisas que lhe ensinarei, as quais serão claras e preciosas; e depois que tua semente for destruída e degenerar, caindo na incredulidade, assim como a semente de teus irmãos, eis que estas coisas serão escondidas, para serem reveladas aos gentios pelo dom e poder do Cordeiro.
E nelas será escrito o meu evangelho, diz o Cordeiro, e minha rocha e minha salvação.
E abençoados os que procurarem estabelecer a minha Sião naquele dia, pois terão o dom e o poder do Espírito Santo; e se perseverarem até o fim, serão levantados no último dia e serão salvos no reino eterno do Cordeiro; e aqueles que proclamarem a paz, sim, novas de grande alegria, quão belos serão sobre os montes!
E aconteceu que vi o remanescente da semente de meus irmãos; e também o livro do Cordeiro de Deus que procedera da boca do judeu e que veio dos gentios para o remanescente da semente de meus irmãos.
E depois de haver chegado a eles, vi outros livros surgirem pelo poder do Cordeiro, trazidos a eles pelos gentios, para convencer os gentios e os remanescentes da semente de meus irmãos e também os judeus que estavam dispersos por toda a face da Terra, de que os registros dos profetas e dos doze apóstolos do Cordeiro são verdadeiros.
E falou-me o anjo, dizendo: Estes últimos registros que viste entre os gentios confirmarão a verdade dos primeiros, que são dos doze apóstolos do Cordeiro, e divulgarão as coisas claras e preciosas que deles foram suprimidas; e mostrarão a todas as tribos, línguas e povos que o Cordeiro de Deus é o Filho do Pai Eterno e o Salvador do mundo; e que todos os homens devem vir a ele, pois do contrário não poderão ser salvos.”(17)

Os críticos do Livro de Mórmon, especialmente os que julgam que a Bíblia é tratada em segundo plano pelos Santos dos Últimos Dias em relação a este livro sagrado de escrituras – o que não é a verdade! -, tentam desacreditar o Livro de Mórmon negando a necessidade de outras escrituras além da Bíblia, especialmente negando a possibilidade de escrituras modernas. Estes céticos esquecem que a Bíblia não foi dada toda de uma vez à humanidade. Ela foi escrita durante milênios. Ela não existia na época de Abraão, de Isaque e de Jacó. Moisés nunca teve a Bíblia nas mãos. Nem Isaías, Jeremias ou Elias. Quando o Salvador Jesus Cristo esteve entre os homens, já havia uma compilação das escrituras que fazem parte do que hoje conhecemos como o Velho Testamento. Mas nem Ele e nem seus Apóstolos tinham nada do que conhecemos hoje como o Novo Testamento, pois são textos produzidos por eles.

Na verdade, os novos conceitos apresentados por Jesus Cristo e seus apóstolos escandalizaram os religiosos da época, que já tinham os escritos do Velho Testamento. Para eles, a lei mosaica bastava. Jesus Cristo trouxe novos conteúdos, novos ensinamentos, que deveriam ser registrados, estudados, vividos. Ele não disse que os ensinamentos do Velho Testamento seriam jogados fora, mas trouxe conhecimento para um novo tempo, que todos precisariam para sua salvação. E isso foi rejeitado pela maioria das pessoas na época, levando mesmo à prisão e morte de Jesus e vários de seus seguidores. Os perseguidores dos ensinamentos de Jesus Cristo sequer se deram ao trabalho de ouvir e ler com o desejo de saber a verdade e nunca perguntaram a Deus sobre isso. Na verdade, os que assim o fizeram, receberam sua confirmação espiritual e se converteram ao cristianismo.

Com o Livro de Mórmon ocorre o mesmo processo. Ele tem sido rejeitado por muitos que sequer se deram ao trabalho de lê-lo ou de ouvir conscientemente, de fonte segura, sobre ele. Julgam-no por preconceitos. Gritam “Uma Bíblia, uma Bíblia! Temos uma Bíblia e não pode haver qualquer outra Bíblia”(18), agindo como fizeram os judeus na época de Cristo.

A revelação contínua é a razão por que temos o Novo Testamento. Sem ela, teríamos apenas o Velho Testamento e mais nada! Ou, nem isso, visto que os livros do Velho Testamento vieram, também, um de cada vez! Quem pensa ser uma ofensa a Deus a existência de um texto escriturístico além da Bíblia, deveria parar de adorar o livro e passar a adorar verdadeiramente o Autor do livro em toda a Sua capacidade de continuar guiando Seus filhos de hoje do mesmo modo que guiou Seus filhos de ontem. Negar a revelação moderna é negar o poder do próprio Cristo!

A questão não deve ser se é possível haver textos adicionais à Bíblia, mas, havendo, se estes são realmente escrituras. Este é o verdadeiro ponto a ser ponderado. E, como sabê-lo? “Os santos dos últimos dias sabem que a verdadeira doutrina vem da revelação de Deus, não de estudos ou sabedoria mundana.”(19) Portanto, embora importantes, não são o estudo secular ou a frequência a cursos de religião que darão o verdadeiro testemunho da palavra de Deus, esteja ela na Bíblia, no Livro de Mórmon ou em qualquer outro volume escriturístico antigo ou moderno. O testemunho sobre a revelação só poderá ser obtido por… revelação!

A Bíblia é a palavra de Deus, em sua tradução correta e inspirada. O Livro de Mórmon é a palavra de Deus. Estas verdades atuam juntas para a salvação do homem.

Referências:

(1) Regras de Fé 1:8.
(2) Guia para Estudo das Escrituras, “Bíblia”.
(3) James E. Talmage, Regras de Fé, Capítulo 13.
(4) Dallin H. Oaks, “Scripture Reading and Revelation,” Ensign, (January 1995), 7.
(5) Dallin H. Oaks, “Scripture Reading and Revelation,” Ensign, (January 1995), 7.
(6) Élder Bruce R. McConkie, Doutrinas da Restauração, ed. Mark L. McConkie, Salt Lake Cidade: Bookcraft, 1989, p. 243.
(7) 1 Néfi 13:20-29.
(8) James E. Talmage, Regras de Fé, Capítulo 13.
(9) Doutrina e Convênios 1:30.
(10) Seleções da Tradução de Joseph Smith da Bíblia, Introdução.
(11) Doutrina e Convênios 132:8.
(12) Manual 2, 21.1.7.
(13) Manual 2, 21.1.7.
(14) O Livro de Mórmon, “Introdução”.
(15) Presidente Joseph Fielding Smith, “Ensinamentos do Profeta Joseph Smith”, Seção II, “A Importância da Revelação”.
(16) “Modern-Language Editions of the Book of Mormon Discouraged”, Ensign, abril de 1993, p. 74.
(17) 1 Néfi 13:30-40.
(18) 2 Néfi 29:3.
(19) Dallin H. Oaks, “Scripture Reading and Revelation,” Ensign, (January 1995), 7.

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