Coligue(-se)!

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Madre Teresa de Calcutá disse: “A mais terrível pobreza é a solidão e o sentimento de não ser querido”(1). Muitos há que vivem em solidão e sentem não serem queridos. Estas pessoas estão neste mundo e também do outro lado do véu, no Mundo Espiritual. Como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, é nosso dever e privilégio compartilhar com estas pessoas a nossa atenção, o nosso amor, a nossa fé e a nossa esperança, que é Jesus Cristo. Podemos oferecer-lhes um lugar nesta Igreja, que é o reino de Deus, e uma associação plena com nossas famílias, fonte de nossa felicidade.

O trabalho missionário e o trabalho do templo e da história da família são os meios que temos para ajudar a todos a virem a Cristo e se sentirem amados e parte da grande família do Pai Celestial. Ao agirmos nestes dois campos, nós nos tornamos coligadores em Israel(2) e nos envolvemos na “coisa mais importante que está acontecendo na Terra hoje em dia.”(3)

Coligar significa reunir. Somos todos da família do Pai Celestial, porém, muitos dos Seus filhos estão distantes Dele e alguns até mesmo O desconhecem. Nossa responsabilidade pessoal é reunir a família em ambos os lados do véu, pois “todos os filhos do Pai Celestial, nos dois lados do véu, merecem ouvir a mensagem do evangelho restaurado de Jesus Cristo.”(4)

Esse trabalho não tem limites de tempo, idade, sexo, raça ou lugar. Por isso, desde Samuel Smith até os nossos dias, os missionários são enviados a todas as nações, a todos os povos, pregando em todos os idiomas. O Élder Bruce R. McConkie disse: “Tão geral quanto foi a dispersão de Israel, assim deve ser a reunião. Se a dispersão foi sobre toda a Terra, e entre todas as nações, então a reunião deve ser de todas as nações, e de todas as partes da terra.”(5) Isso inclui a pregação do evangelho e a realização de ordenanças pelos que já partiram desta vida terrena, que vêm acontecendo desde os tempos da Igreja primitiva.

Quando lançamos nossas redes, nos tornamos “pescadores de homens”(6). Cada filho do Pai Celestial trazido a este evangelho é unido ao Senhor e a todos nós por meio das ordenanças e dos convênios. Isto segue o modelo existente desde Adão(7) e renovado com Abraão, com quem o Senhor fez o convênio que nos torna coerdeiros com Cristo, como ensinou o Élder Bruce R. McConkie: “Abraão primeiro recebeu o evangelho pelo batismo (que é o convênio de salvação); em seguida, foi conferido a ele o sacerdócio maior, e ele entrou no casamento celestial (que é o convênio de exaltação), obtendo assim a certeza de que ele teria um progresso eterno; por fim, ele recebeu a promessa de que todas essas bênçãos seriam oferecidas a toda a sua posteridade.”(8) A pregação do evangelho, neste mundo e no mundo dos espíritos, dará a todos os filhos do Pai Celestial a oportunidade de fazer e cumprir estes mesmos convênios e receber todas as bênçãos do convênio abraâmico.

Agora, isso é importante de ser lembrado: embora o evangelho seja para todos, é na família que devemos colocar os nossos principais e mais especiais esforços. Dar a oportunidade da vida eterna aos nossos familiares vivos e aos nossos antepassados falecidos que ainda não receberam ordenanças como o batismo ou o selamento, é um privilégio. Todos amamos a nossa família e acreditamos na doutrina do casamento e da família eterna, mas isso somente pode acontecer quando a família é selada em um dos templos do Senhor. E isso não pode acontecer sem o trabalho missionário e sem o trabalho do templo e da história da família.

Uma excelente ferramenta para nos ajudar a realizar esta obra maravilhosa é a Árvore Familiar. Depois que reunimos nossa família na Árvore Familiar, podemos então reuni-los em segurança nas ordenanças e nos convênios. A pesquisa da história da família é a base deste trabalho. E não precisamos de muito conhecimento ou de recursos muito avançados. “O centro da história da família é o lar.”(9) É no lar que os membros da família aprendem e compartilham recordações familiares e registram essas informações na Árvore Familiar, não importa qual tecnologia utilizem, seja a do papel ou a do digital. Com o aplicativo FamilySearch, cada pessoa tem um Centro de História da Família em suas mãos. São bilhões de nomes de mais de uma centena de países e territórios disponíveis para pesquisa.

O Élder Quentin L. Cook disse: “O plano de nosso Pai tem a ver com a família, simbolizada por uma grande árvore. Para uma árvore viver e crescer, precisa tanto de raízes quanto de ramos. Precisamos estar conectados a nossas raízes – nossos pais, avós e outros antepassados – e nossos ramos – nossos filhos, netos e outros descendentes. Muitas escrituras marcantes usam a analogia de uma árvore com raízes e ramos representando a família.”(10)

Talvez você esteja pensando agora que a sua Árvore Familiar não é assim tão bela de se ver. Bem, a verdade é que a minha Árvore Familiar já foi parecida com um simples arbusto um dia. Mas, com o casamento, os filhos e agora o nosso primeiro netinho, a nossa árvore se expandiu e está ficando muito bonita. É preciso ter paciência para se cultivar árvores, porque isto leva tempo. Nesta semana, eu e minha esposa completaremos 25 anos desde o nosso selamento. Nos próximos anos e décadas, a nossa árvore continuará a crescer, verticalmente, quando nossa filha se casar e quando outros netos chegarem e depois seus casamentos e filhos, nossos bisnetos, e daí em diante, e horizontalmente, com o desenvolvimento das ramificações dos familiares da nossa nora, do nosso futuro genro e de todos os que se casarem com nossos netos, bisnetos e daí em diante. Cada ramificação dessa é uma parte importante da nossa árvore. Outro dia, perguntei a um membro da Igreja se um outro membro da Igreja seria seu parente, porque eles possuem o mesmo sobrenome incomum. Ele respondeu que aquele irmão da Igreja não era seu parente, mas apenas de sua avó, porque era um familiar distante. Vamos deixar uma coisa bem clara: talvez, legalmente, os graus de parentesco sejam limitados; porém, no plano eterno, todas as conexões familiares são importantes, necessárias e eternas.

Quando devemos começar a cultivar a Árvore Familiar? Como ensinou o Élder Uchtdorf, “um antigo provérbio diz: ‘A melhor época para plantar uma árvore é 20 anos no passado. A segunda melhor época é agora.'”(11) E, como disse o Élder Cook, “não importa se vocês são solteiros, ou se seu cônjuge é menos ativo ou até não membro desta Igreja, vocês também podem colaborar com a salvação de almas. Não existe nenhum trabalho mais importante, compensador ou glorioso.”(12)

É claro que a Árvore Familiar não é o nosso objetivo final. Não cultivamos árvores familiares porque as achamos bonitas e gostamos de admirá-las. Ela é, como eu já disse, uma ferramenta. Ela nos ajuda a reunir a família. Deve ser utilizada para chegarmos onde queremos: as ordenanças e os convênios realizados no templo. E porque isso é tão importante? Porque é no templo que reunimos a família em segurança.

A compreensão da doutrina da coligação de Israel é a chave para a compreensão do evangelho. Esta doutrina é um dos pontos centrais do evangelho restaurado. Ninguém pode compreender verdadeiramente quem é o nosso povo, os convênios que fizemos com o Pai Celestial e o nosso destino eterno, enquanto não souber realmente sobre esta doutrina.

Moisés apareceu ao Profeta Joseph Smith e a Oliver Cowdery, no templo de Kirtland, em 3 de abril de 1836. Joseph relatou assim: “(…) Moisés apareceu diante de nós e conferiu-nos as chaves para coligar Israel das quatro partes da Terra e trazer as dez tribos da terra do norte.”(13)

Moisés havia resgatado o povo de Israel de quatrocentos anos de servidão no Egito. Sua missão era levá-los até o Monte Sinai, que foi, de certo modo, o primeiro templo de Israel. Ali, o Senhor os santificaria e renovaria com eles o convênio que havia feito com Abraão. Assim, eles seriam o Seu povo e poderiam retornar à terra da promissão e construir um templo para o Senhor. Infelizmente, o povo não quis se santificar, e o Senhor tirou Moisés e o Santo Sacerdócio do meio deles. Ele ficaram com o Sacerdócio Menor, que é preparatório. E não puderam entrar na terra da promissão.

Hoje, somos ordenados pelo Senhor a resgatarmos a Israel dispersa da escravidão do mundo, batizar cada um e levá-los a fazerem convênios no templo. É no templo que somos ensinados nos caminhos do Deus de Abraão, Isaque e Jacó. É no templo que as promessas do convênio são dadas. É no templo que a coligação realmente acontece.

Após receber a visita de Moisés, Joseph e Oliver receberam outro mensageiro celestial. O profeta narrou: “Elias, o profeta, (…) apareceu diante de nós e disse: (…) as chaves desta dispensação são confiadas às vossas mãos; e assim sabereis que o grande e terrível dia do Senhor está perto, sim, às portas.” (14)

O poder selador restaurado por Elias é a autoridade pela qual todas as ordenanças do evangelho – do batismo ao casamento eterno – são válidas na Terra e no céu. Essa é a autoridade que permite selar os vivos e os mortos. Essa é a autoridade que une as famílias por toda a eternidade, por meio das ordenanças e convênios do templo.

O templo – sempre o templo – é a chave. Todos os santos dos últimos dias devem ter o templo em sua mente e em seu coração. Alguém que se torna um membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e não deseja estar no templo ou não se esforça para se santificar para isso, não entendeu a natureza e o propósito de seu batismo e não compreendeu o plano de salvação. Alguns seguem o mesmo padrão da Israel teimosa no deserto: seguem o profeta, veem os milagres, mas não conseguem vencer suas dúvidas e queixas, que rapidamente são exibidas em forma de um bezerro de ouro moderno qualquer.

Coligamos os filhos do Pai Celestial para que eles possam ser exaltados. A exaltação é um assunto de família. Não podemos obtê-la individualmente. Ela requer a união no casamento eterno entre um homem e uma mulher(15). O Élder Bruce R. McConkie ensinou a respeito dessa ordenança sagrada: “As partes [do convênio abraâmico] que pertencem à exaltação pessoal e ao progresso eterno são renovadas com cada membro da casa de Israel que entra na ordem do casamento celestial. Através dessa ordem, as partes participantes tornam-se herdeiras de todas as bênçãos de Abraão, Isaque e Jacó.”(16) Alguém que não deseja ou que retarda de maneira deliberada o convênio do casamento celestial, nega a si mesmo e às gerações futuras as bênçãos do convênio abraâmico, incluindo a exaltação.

O Presidente Russel M. Nelson ensinou outro aspecto maravilhoso da coligação de Israel nos dois lados do véu. Ele disse: “Por que essa promessa de coligação é tão crucial? Porque a coligação de Israel é necessária para preparar o mundo para a Segunda Vinda! E o Livro de Mórmon é o instrumento de Deus necessário para atingir ambos os objetivos divinos.”(17) Ao pregarmos o evangelho aos nossos familiares, amigos e a todas as pessoas, devemos lembrar que o Livro de Mórmon “destina-se a mostrar aos remanescentes da casa de Israel as grandes coisas que o Senhor fez por seus antepassados; e para que possam conhecer os convênios do Senhor e saibam que não foram rejeitados para sempre.”(18)

Como ensinou o Presidente Henry B. Eyring: “Os títulos “irmão” e “irmã” não são apenas cumprimentos amigáveis ou termos afetuosos. São a expressão de uma verdade eterna: Deus é literalmente Pai de toda a humanidade. Cada um de nós faz parte de Sua família eterna.”(19)

Que possamos nos envolver plenamente na obra sagrada de reunir todos os filhos do nosso Pai Celestial. As promessas são maravilhosas, e o compromisso exigido é total, como disse o Presidente Boyd K. Packer: “Nenhum trabalho dá mais proteção à Igreja do que as ordenanças do templo e a pesquisa de história da família, que a sustêm. Nenhum trabalho é tão espiritualmente purificador. Nenhum trabalho nos confere mais poder. Nenhum trabalho exige um padrão de retidão mais elevado. Nosso trabalho no templo nos cobre com um escudo e uma proteção, tanto individual quanto coletivamente.” (20)

Referências

(1) A História da Família – Site Mormon.org
(2) Ensinar as Pessoas sobre a História da Família como Coligadores no Reino – Blog do FamilySearch
(3) “Juventude da promessa”, Devocional Mundial com o Presidente Nelson e a Irmã Nelson
(4) “Juventude da promessa”, Devocional Mundial com o Presidente Nelson e a Irmã Nelson
(5) Bruce R. McConkie, Mormon Doctrine, “Coligação de Israel”
(6) Mateus 4:19
(7) Moisés 6:51-68
(8) Bruce R. McConkie, Mormon Doctrine, “Convênio Abraâmico”
(9) Élder Quentin L. Cook, “A Alegria do Trabalho de História da Família”, A Liahona, fevereiro de 2016
(10) Élder Quentin L. Cook, “A Alegria do Trabalho de História da Família”, A Liahona, fevereiro de 2016
(11) Élder Dieter F. Uchtdorf, “A Melhor Época para Plantar uma Árvore”, A Liahona, janeiro de 2014
(12) Élder Quentin L. Cook, “A Alegria do Trabalho de História da Família”, A Liahona, fevereiro de 2016
(13) D&C 110:11
(14) D&C 110:13–16
(15) D&C 131:1-4

(16) Bruce R. McConkie, Mormon Doctrine, “Convênio Abraâmico”
(17) Presidente Russell M. Nelson, “O Livro de Mórmon, a Coligação de Israel e a Segunda Vinda”, discurso proferido durante o seminário para novos presidentes de missão realizado no Centro de Treinamento Missionário de Provo, em 26 de junho de 2013.
(18) Página de Título do Livro de Mórmon
(19) Presidente Henry B. Eyring, “Reunir a Família de Deus”, Conferência Geral, abril de 2017
(20) Presidente Boyd K. Packer, “O Templo Sagrado”, A Liahona, outubro de 2010, p. 35

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Antonio Carlos Lima

Antonio Carlos Lima é um membro da Igreja há 35 anos. Mora em Aracaju/SE. Serviu na Missão Brasil Brasília, de 1991 a 1993. É casado, pai e avô.
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