“A Família: Proclamação ao Mundo”: Um guia para a escolha do cônjuge eterno

O documento profético “A Família: Proclamação ao Mundo” tem sido utilizado há mais de duas décadas como declaração de conduta para as famílias. Porém, o que poucos percebem é que esta proclamação pode ser um excelente guia na busca e escolha do cônjuge para um casamento eterno.

Abordarei aqui alguns tópicos que considero importantes sobre este assunto.

Ajudar a levar a efeito o plano de salvação

“(…) proclamamos que o casamento entre homem e mulher foi ordenado por Deus e que a família é essencial ao plano do Criador para o destino eterno de Seus filhos.”

Não é raro encontramos jovens adultos solteiros que adiam o casamento. Se esta é a sua condição hoje, você deve responder honestamente a estas questões antes de dar seguimento à leitura deste artigo:

  • Manter-se solteiro tem sido uma escolha pessoal sua?
  • Você tem deixado de se preparar e agir para procurar e encontrar um cônjuge?
  • Você sente que o casamento não tem sido uma de suas prioridades hoje?

Se você respondeu “Sim” a alguma destas perguntas, é muito importante que releia a citação acima, na qual os profetas ensinaram que o casamento é ordenado (ordem, mandamento) por Deus, e que a família é essencial (sem a família, não funciona) ao plano do Criador.

Se é o medo (de escolher errado, das responsabilidades, do desconhecido, do futuro, das questões financeiras inerentes, de ter que prestar contas de sua vida a outra pessoa, etc.) que o impede de obedecer a este mandamento e contribuir ativamente nesta parte do plano de salvação, lembre que a fé é o oposto do medo. Ter fé no mandamento do casamento e no plano eterno de salvação do Senhor é tão importante quanto ter fé em qualquer outro princípio ou doutrina.

O Presidente Thomas S. Monson aconselhou:

“Tenho pensado muito em vocês, rapazes, que estão em idade de casar, mas ainda não decidiram fazê-lo. Vejo moças adoráveis que desejam casar e criar uma família, mas suas oportunidades estão limitadas porque há tantos rapazes que adiam o casamento. (…) Sei que há muitos motivos pelos quais vocês podem estar hesitantes em dar o passo para o casamento. Se estiverem preocupados com o sustento financeiro de uma esposa e família, asseguro-lhes de que não é vergonha um casal ter de pechinchar e economizar. É geralmente nessa época desafiadora que vocês vão tornar-se mais próximos, ao aprenderem a sacrificar-se e a tomar decisões difíceis. Talvez tenham medo de fazer a escolha errada. Quanto a isso digo que precisam exercer fé. Encontrem alguém que lhes possa ser compatível. Compreendam que não serão capazes de prever todos os desafios que podem surgir no casamento, mas tenham a certeza de que quase tudo pode ser resolvido se forem flexíveis e se estiverem comprometidos a fazer seu casamento dar certo.”(1)

Somente a compreensão do plano de salvação pode afastar os receios e dar a dimensão correta da importância do casamento eterno.

O Élder David A. Bednar disse:

“Como homens e mulheres, maridos e esposas, e como líderes da Igreja, será que conseguimos ver que a importância do casamento eterno somente pode ser compreendida no contexto do plano de felicidade do Pai? A doutrina do plano dá esperança a homens e mulheres e prepara-os para o casamento eterno, sobrepujando temores e incertezas que podem fazer com que alguns adiem ou evitem o casamento.”(2)

Sabemos que, no plano de felicidade do Pai Celestial, a menos que sejamos selados em um templo sagrado aos nossos cônjuges e filhos, e continuemos a viver fielmente de acordo com os mandamentos, não nos qualificaremos para a exaltação, que é o mais alto grau do Reino Celestial e, é claro, nosso maior objetivo. Não é possível alcançar esta bênção sozinho.

O Élder Bednar ensinou:

“A natureza do espírito masculino e a do feminino completam-se e aperfeiçoam-se mutuamente e, portanto, o homem e a mulher devem progredir juntos rumo à exaltação. (…) A combinação ímpar de capacidades espirituais, físicas, mentais e emocionais do homem e da mulher é necessária para levar a efeito o plano de felicidade. Individualmente, nem o homem nem a mulher pode cumprir os propósitos de sua criação.”(3)

Embora o casamento seja um mandamento para os homens e as mulheres, cabe ao homem, portador do sacerdócio, a responsabilidade da iniciativa. O casamento é um dever do sacerdócio. Muito dificilmente um homem com plena capacidade física, mental, emocional e espiritual para o casamento poderá afirmar que não se casa por culpa das mulheres, porque estas não desejam o compromisso do casamento. O contrário pode ser verdadeiro.

Sobre isso, o Presidente Gordon B. Hinckley afirmou:

“Sinto o coração tocado por (…) nossas irmãs solteiras, que anseiam por casar-se e não parecem conseguir. (…) Tenho bem menos compaixão pelos rapazes que, pelos costumes de nossa sociedade, têm a prerrogativa de tomar a iniciativa nesse assunto, mas em muitos casos deixam de fazê-lo.”(4)

E o Presidente Harold B. Lee confirmou:

“Não estamos cumprindo nosso dever como portadores do sacerdócio se passarmos da idade de casar e fugirmos de um casamento honroso com uma dessas adoráveis mulheres.”(5)

Homens, se seus temores lhes impedem de cumprirem este mandamento e, assim, tornarem-se plenos na participação no plano de salvação do Pai Celestial, é hora de tomarem coragem e agir. Se não forem os seus temores que lhes freiam, então pode ser algo ainda pior: a displicência, o egoísmo ou a falta de maturidade têm tirado de vocês oportunidades de relacionamento sério com as jovens adultas.

O Presidente Thomas S. Monson falou sobre este comportamento:

“Talvez estejam se divertindo um pouco demais com a vida de solteiro, com viagens extravagantes, com a compra de carros e brinquedos caros ou simplesmente levando a vida despreocupadamente com os amigos. Encontrei grupos de rapazes realizando atividades juntos, e admito que me perguntei por que não estavam saindo com as moças.”(6)

O Apóstolo Paulo ensinou:

“Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.”(7)

Especialmente se um rapaz já serviu uma missão de tempo integral, este é um sinal de que o tempo de agir “como menino” já passou e o tempo de “ser homem” e casar-se chegou.

Fundamentar o namoro na doutrina e nos princípios divinos

“A felicidade na vida familiar é mais provável de ser alcançada quando fundamentada nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo.”

Quando Jesus Cristo se torna o fundamento da sua vida pessoal, é mais fácil torná-lo o fundamento do seu namoro e, depois, do seu casamento. Você saberá que a sua vida está fundamenta nos ensinamentos de Jesus Cristo quando estes ensinamentos estão em seus pensamentos e ações, e você sinceramente se esforça para guardar Seus mandamentos. Assim, com os pensamentos e sentimentos centralizados em Jesus Cristo, você se qualifica para receber Sua orientação divina ao fazer escolhas, das mais simples às mais sagradas.

O Élder Jeffrey R. Holland ensinou:

“Você quer a capacidade e a segurança no namoro, no romance, na vida conjugal e para a eternidade? Seja um verdadeiro discípulo de Jesus. Seja um verdadeiro, comprometido, em palavra e em ação, Santo dos Últimos Dias. Acredite que sua fé tem tudo a ver com romance, porque, de fato, tem. Separar namoro de discipulado tem seu perigo. Ou, para a frase sair mais positiva, Jesus Cristo, a Luz do Mundo, é a única lâmpada pela qual você pode ver com sucesso o caminho de amor e felicidade para você e para seu amor.”(8)

Avaliar a pessoa com quem namora, para ter a certeza de que ela também possui uma vida centralizada em Cristo e compreende que a obediência aos Seus mandamentos é essencial para felicidade na vida familiar, é mais que importante, é vital. Vale a pena observar seu serviço na Igreja, sua disposição em obedecer, e até mesmo qual a opinião de seu Bispo sobre sua conduta como um Santo dos Últimos Dias.

O irmão Michael A. Goodman deu uma dica valiosa:

“A chave para julgar o caráter em relação a Deus reside no [comportamento] privado mais do que no comportamento espiritual público. Considere comportamentos religiosos privados, como estudo pessoal das escrituras, oração pessoal e familiar e frequência ao templo. Esses comportamentos dizem muito mais sobre as motivações particulares da pessoa (amor a Deus, o desejo de renovar convênios) do que os comportamentos públicos.”(9)

Desenvolver em si o que deseja encontrar no cônjuge

“O casamento e a família bem-sucedidos são estabelecidos e mantidos sob os princípios da fé, da oração, do arrependimento, do perdão, do respeito, do amor, da compaixão, do trabalho e de atividades recreativas salutares.”

A Família: Proclamação ao Mundo apresenta os nove atributos acima, que, se desenvolvidos pelos cônjuges, trarão felicidade ao casamento e à família. Estes atributos devem ser desenvolvidos pessoalmente por cada um dos cônjuges, pois, como alertou o Apóstolo Paulo, “Não vos prendais em jugo desigual”(10).

Os opostos são opostos e não se atraem, espiritualmente falando. Quando isso ocorre, é possível saber que há uma distorção de percepções, muito provavelmente motivada pela euforia da paixão ou pela tristeza da solidão.

A atração física não é dispensável, a afeição natural é algo bom e essencial para um casamento feliz. Porém, são os objetivos eternos que realmente importam. É importante procurar por alguém não apenas de sua fé, mas do seu nível de fé. O templo e os convênios eternos são importantes para você? Então, procure por alguém que também se importe com esses convênios eternos e mantenha-se qualificado para o templo. O Senhor deixou claro que somente a atração dos espiritualmente compatíveis permanece:

“Pois a inteligência apega-se à inteligência; a sabedoria recebe a sabedoria; a verdade abraça a verdade; a virtude ama a virtude; a luz se apega à luz; a misericórdia se compadece da misericórdia e reclama o que é seu. (…)”(11)

Quem desenvolve em si mesmo essas qualidades, atrairá alguém com o mesmo nível de espiritualidade, e que tem os mesmos propósitos, em sua busca por um cônjuge eterno. Faça o que é certo e o certo virá a você.

Há algo mais sobre este assunto: cuidado com o perfeccionismo na procura pelo cônjuge eterno. E cuidado com o perfeccionismo sobre você mesmo.  Não adianta procurar a pessoa perfeita, ideal em todos os aspectos. Essa pessoa não existe, nem você a é! É preciso estar disposto a fazer parte do trabalho para ajudar o cônjuge a melhorar neste ou naquele aspecto, e permitir ser ajudado para melhorar a si próprio. Não seja exigente demais, de tal forma que não consiga enxergar o que a pessoa pode se tornar, com um pouco de esforço dela e seu.

O Élder Robert D. Hales disse:

“(…) ninguém se casa com a perfeição; casamos com o potencial. O casamento certo não tem a ver apenas com o que eu quero. Tem também a ver com o que ela — que vai ser minha companheira — quer e precisa que eu seja.”(12)

Sobre este ponto, o Élder Richard G. Scott foi direto:

“Sugiro que você não ignore os muitos candidatos possíveis que ainda estejam desenvolvendo essas qualidades, em seu anseio de encontrar um que já se tenha aperfeiçoado nelas. Não é provável que encontre essa pessoa perfeita e, caso a encontre, com certeza ela não estará interessada em você. Essas qualidades são melhor lapidadas em conjunto, como marido e mulher.”(13)

Fazer do templo uma parte central na procura por um cônjuge

“As ordenanças e os convênios sagrados dos templos santos permitem que as pessoas retornem à presença de Deus e que as famílias sejam unidas para sempre.”

O templo é “(…) uma casa de oração, uma casa de jejum, uma casa de fé, uma casa de aprendizado, uma casa de glória, uma casa de ordem, uma casa de Deus.”(14) Assim, é um lugar perfeito para a meditação que leva à revelação pessoal na procura pelo cônjuge eterno. Se a espera por um casamento se prolonga, o templo é um lugar de consolo e renovação da esperança.

Mantenha sua recomendação para o templo sempre válida, não apenas na data, mas, principalmente, pela sua fidelidade. E não se mova de modo algum da decisão do casamento no templo.

O President Gordon B. Hinckley alertou:

“Não há substituto para o casamento no templo. É o único lugar sob os céus onde o casamento pode ser realizado para a eternidade. Não se engane. Não engane seu companheiro. Não perca a sua vida. Case-se com a pessoa certa, no lugar certo, no momento certo.”(15)

Bem, esta citação nos leva a uma pergunta muito comum: qual a hora certa para o casamento? Quando você encontra a pessoa certa e os dois compreendem, amam e desejam se casar no lugar certo (o templo), então esta é a hora certa!

Conclusão

O Presidente Dalin H. Oaks ensinou:

“Se vocês desejam casar bem, então, procurem bem. Conversas informais com uma pessoa ou troca de informações pela Internet não são suficientes como base para um casamento. Vocês precisam sair juntos e depois namorar de modo cuidadoso, zeloso e consciente. Deve haver inúmeras oportunidades de observar o comportamento do futuro cônjuge, nas mais variadas situações. Os noivos devem conhecer tudo o que for possível sobre a família da qual logo farão parte. Com tudo isso, devemos estar cônscios de que para um bom casamento não é preciso que o homem nem a mulher sejam perfeitos. É preciso apenas que esse homem e essa mulher se empenhem juntos na busca da perfeição.”(16)

Estude “A Família: Proclamação ao Mundo” com quem você namora. Fale sobre os princípios ali ensinados e deixe clara a sua posição firme de seguir o evangelho de Jesus Cristo por toda a sua vida conjugal e familiar. Então, verifique se vocês concordam conjuntamente com os princípios declarados. É muito melhor descobrir incompatibilidades espirituais neste momento e, se for o caso, trabalhar para mudar, do que depois, no casamento. Ao fazer isto, você terá ainda mais confiança de que fará a escolha certa por alguém que é espiritualmente compatível com você.

O Presidente Spencer W. Kimball ensinou:

“’Almas gêmeas’ são ficção e ilusão; e enquanto todos os rapazes e moças procurarão com toda diligência e oração encontrar um companheiro com quem a vida possa ser mais compatível e bela, ainda assim é certo que quase todo homem bom e qualquer boa mulher podem ter felicidade e um casamento bem-sucedido se ambos estiverem dispostos a pagar o preço.”(17)

Lembre-se do básico: quem é você, o que veio fazer nesta Terra e qual o seu destino eterno, traçado no plano de felicidade do Pai Celestial. Ao levar estes pontos em sincera consideração, não haverá dúvidas ou hesitações sobre o certo a fazer quanto ao casamento.

Referências

(1) “O Poder do Sacerdócio”, Conferência Geral, abril de 2011.
(2) “O Casamento É Essencial ao Plano Eterno de Deus”, A Liahona, junho de 2006.
(3) “O Casamento É Essencial ao Plano Eterno de Deus”, a Liahona, junho de 2006.
(4) “What God Hath Joined Together”, Ensign, maio de 1991, p. 71.
(5) “President Harold B. Lee’s General Priesthood Address”, Ensign, janeiro de 1974, p. 100.
(6) “O Poder do Sacerdócio”, Conferência Geral, abril de 2011.
(7) I Coríntios 13:11.
(8) “How Do I Love Thee?”, Discurso proferido na Universidade Brigham Young, em 15 de fevereiro de 2000.
(9) “Inquire Well to Marry Well”, Ensign, agosto de 2017.
(10) II Coríntios 6:14.
(11) D&C 88:40.
(12) “Enfrentar os Desafios do Mundo Atual”, Conferência Geral, outubro de 2015.
(13) “Receber as Bênçãos do Templo”, A Liahona, abril de 1999.
(14) D&C 109:8.
(15) “Life’s Obligations”, Ensign, fevereiro de 1999.
(16) “Divórcio”, Conferência Geral, abril de 2007.
(17) “Marriage and Divorce”, proferido em devocional na Universidade Brigham Young, em 7 setembro de 1976.

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Antonio Carlos Lima

Antonio Carlos Lima é um membro da Igreja há 35 anos. Mora em Aracaju/SE. Serviu na Missão Brasil Brasília, de 1991 a 1993. É casado, pai e avô.
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